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Michael Klein quer usar modelo de Buffett em seu táxi aéreo

Fabiola Moura, Christiana Sciaudone e Cristiane Lucchesi

(Bloomberg) -- O bilionário brasileiro Michael Klein está mostrando que herdou de seu pai a habilidade de conseguir extrair algo bom de uma situação ruim.

Klein, de 66 anos, cujo pai fundou a Casas Bahia, popular rede de lojas especializada em móveis e eletrodomésticos, está construindo seu próprio império usando sua parte dos recursos obtidos quando ele e seus irmãos venderam o controle da empresa. Embora continue sendo influenciado pela experiência de seu falecido pai, hoje em dia ele tem como modelo um magnata mais famoso: Warren Buffett.

Como CEO do CB Group, holding da sua família, Klein está tentando vender participações fracionadas em jatos particulares para brasileiros ricos através de sua empresa, a Icon Aviation, imitando um modelo usado pela NetJets, de Buffett. Este é um dos vários novos negócios que a bilionária família Klein buscou nos últimos anos, enquanto a economia do Brasil caía em depressão.

"Essa crise não foi das piores não", diz Klein sobre o empobrecimento do Brasil. "Aproveitamos os últimos dois anos para fazer aquisições."

Ele não está exagerando. A família comprou de tudo -- de imóveis comerciais a jatos, helicópteros e táxis aéreos -- enquanto outros tentavam vender ativos em meio a uma crise de crédito paralisante. Seu pai teria gostado dessa estratégia, disse Klein.

Samuel Klein, um imigrante polonês e judeu, sobreviveu a dois campos de concentração antes de se mudar para o Brasil na década de 1950. Ele começou vendendo cobertores de porta em porta e, no final do século, havia construído a que era então a maior varejista do País. Poucos anos antes de sua morte em 2014, a família Klein vendeu a Casas Bahia a Abilio Diniz, o bilionário que construiu a rede de supermercados Pão de Açúcar com seu pai. Hoje, a francesa Casino Guichard-Perrachon controla a Via Varejo, a empresa que absorveu a Casas Bahia.

Se os maus momentos são oportunidades para a família Klein, nunca houve época melhor para estar no Brasil.

A maior economia da América Latina está ensaiando a saída de uma dolorosa depressão de dois anos que encolheu o produto interno bruto em quase 10 por cento. A queda das commodities, grandes escândalos de corrupção e um impeachment só pioraram os problemas do País. Agora, projeta-se que o PIB crescerá 0,6 por cento neste ano e 2,4 por cento em 2018.

Nestes amargos anos, a família comprou cerca de R$ 1 bilhão em imóveis comerciais em todo o Brasil, incluindo agências bancárias, lojas e terrenos para centros de distribuição, aumentando seu portfólio imobiliário para cerca de R$ 6 bilhões. No total, Michael Klein tem pelo menos US$ 1,36 bilhão em ativos da Icon Aviation, em imóveis do CB Group e na Via Varejo, de acordo com o bilionário.

Embora a família Klein tenha feito alguns bons negócios, isso não quer dizer que tenha passado ilesa pela recessão. Eles tiveram que renegociar os aluguéis dos seus imóveis comerciais para evitar que os inquilinos se mudassem para pontos mais baratos, o que fez com que a renda dos aluguéis estagnasse em 2015 e 2016 em cerca de R$ 410 milhões. Klein espera que a receita de aluguel suba neste ano para R$ 430 milhões.

Entre as oportunidades que teve, Michael também ficou tentado a comprar de volta a Via Varejo, quando o Casino a colocou à venda no começo desse ano. O Casino, que acabou não vendendo a unidade, não quis comentar.

"Para alguém querer comprar, alguém precisa querer vender," disse Klein, que é membro do conselho da empresa. "Pelo preço que queriam, eu também preferia vender do que comprar."

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