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Comunicação demais de banco central gera 'confusão, não clareza'

Catherine Bosley

(Bloomberg) -- A surpreendente mudança de política do Banco Nacional Suíço em 2015 entrou para a história por ter perturbado os mercados. Agora, dois economistas da instituição estão apoiando sua postura em relação à comunicação.

Thomas Lustenberger e Enzo Rossi argumentam que a ampliação das comunicações do banco central ao longo dos anos "criou confusão, não clareza" e não ajudou investidores e acadêmicos a melhorarem suas projeções macroeconômicas.

Trata-se de uma refutação da visão de que a transparência ajuda os bancos centrais a reduzir a volatilidade do mercado e a atingir as metas de suas políticas. A crise financeira, em particular, gerou um novo consenso de que dar aos investidores conselhos prévios para orientar as expectativas de taxas de juros ajudaria as autoridades a superar a pior recessão em uma geração.

Contudo, dados de 73 países "nos alertam que não devemos esperar muito de uma transparência maior e do aprimoramento da comunicação", disseram os economistas. Os resultados estão publicados em uma nota técnica do SNB -- o banco central suíço, que, em uma decisão totalmente inesperada, há dois anos, cancelou seu limite cambial poucos dias depois de ter reafirmado sua necessidade.

O número de discursos se multiplicou por quase seis vezes entre 1998 e 2014 nas economias estudadas, mas Lustenberger e Rossi não encontraram "quase nenhuma evidência" de que a comunicação maior tenha melhorado a precisão das projeções. Os resultados indicam que a situação varia de país a país, disseram, acrescentando que a publicação do histórico de votação na verdade foi prejudicial para as projeções para as taxas de juros.

Na verdade, eles descobriram que, embora 20 instituições apresentassem um bom grau de abertura e 23 estivessem abaixo da média em 2014, 30 bancos centrais - inclusive de vários países da zona do euro -- foram transparentes demais. Os autores também destacam que a prática de alguns membros dos bancos centrais de expressar sua discordância em público -- comum no Banco da Inglaterra e no Banco Central Europeu -- pode prejudicar a mensagem de um banco central. Os membros do SNB adotam todos a mesma postura.

"Um banco central que fala com uma cacofonia de vozes pode, na verdade, não ter nenhuma voz."

Em preparação para decisões importantes nas próximas semanas, talvez os integrantes da cúpula dessas duas instituições devam considerar o conselho de Lustenberger e Rossi:

"Uma maneira de interpretar a evidência", escreveram, é que "os bancos centrais devem falar com menos frequência, especialmente aqueles que já alcançaram certo grau de transparência".

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