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Amazon pode ajudar a explicar inflação dos EUA: Bloomberg View

Mark Whitehouse

16/10/2017 14h19

(Bloomberg) -- Apesar de todos os esforços, o Federal Reserve não consegue elevar a inflação até a meta de 2 por cento -- situação que a presidente Janet Yellen chamou de "mistério". Se estiver à procura de pistas, ela pode querer fazer perguntas ao fundador da Amazon, Jeff Bezos.

Os economistas falam cada vez mais sobre o "efeito Amazon". A tese é que, ao ganharem participação de mercado, as empresas de varejo on-line pressionam as lojas físicas a manterem os preços baixos. Esse fenômeno, por sua vez, pode estar impedindo a inflação de subir novamente a um nível normal.

Os dados mais recentes de inflação dos EUA oferecem certo respaldo à ideia. Em setembro, o índice de preços de commodities excluindo alimentos e energia -- categoria que inclui vestuário, produtos eletrônicos e vários outros itens comercializados por lojas on-line -- apresentou queda de um ponto percentual em relação ao ano anterior. O declínio eliminou cerca de 0,25 por cento do "núcleo" de inflação como um todo, que ficou em apenas 1,7 por cento.

A situação nem sempre foi assim. Durante boa parte do século 20, os preços dos produtos vendidos no varejo oscilavam mais ou menos em sincronia com todo o resto. Mas na década de 1990, o surgimento do Walmart e das importações da China provocaram fortes declínios nos preços -- para benefício dos consumidores dos EUA e desgosto dos fabricantes. A pressão parecia estar diminuindo após a última recessão, mas retornou nos últimos anos com o crescimento do varejo on-line.

Para ser justo, o efeito Amazon pode ainda não ser tão poderoso quanto o efeito Walmart. Os economistas do Goldman Sachs, por exemplo, estimam que a pressão do varejo on-line pode estar subtraindo cerca de 0,1 ponto percentual do índice de inflação preferido do Fed, contra 0,2 ponto percentual das grandes empresas de varejo antes de 2008.

Ainda assim, se as autoridades quiserem resolver o mistério, essa é uma tendência que vale a pena monitorar.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião do conselho editorial ou da Bloomberg LP e seus proprietários.