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Daimler define separação de Mercedes e unidade de caminhões

Elisabeth Behrmann

16/10/2017 15h10

(Bloomberg) -- A Daimler está definindo os planos para sua maior reformulação corporativa em uma década, dando mais independência às divisões de carros e caminhões com o objetivo de abrir caminho para separações e outros negócios em um momento em que a fabricante de veículos enfrenta a disruptiva transição para os veículos elétricos autônomos.

De acordo com o plano, a gigante automotiva alemã dividiria a estrutura do conglomerado, transformando-se em uma holding com três unidades separadas: Mercedes-Benz Cars & Vans, Daimler Trucks & Buses e a divisão de serviços financeiros, que já é legalmente independente, informou a empresa com sede em Stuttgart em comunicado.

A mudança tem o objetivo de conceder "maior responsabilidade empreendedora" às divisões, mas inicialmente criará custos adicionais, como a duplicação de estruturas administrativas. A Daimler calcula um orçamento de mais de 100 milhões de euros (US$ 118 milhões) para "os primeiros passos". A empresa afirmou que não planeja vender nenhuma divisão para, dessa forma, preservar sinergias, como a partilha de custos entre as operações de caminhões e carros para o desenvolvimento dos recursos de direção autônoma.

A reformulação, proposta pela primeira vez em julho, seria a maior renovação corporativa da Daimler desde que a empresa deu fim à ambição de se tornar uma gigante automotiva global com a venda da Chrysler, em 2007. A decisão inicialmente ampliaria os custos, mas pode possibilitar separações ou parcerias futuras mais profundas quando estiver implementada, depois de 2019, mesmo ano em que Dieter Zetsche deverá deixar o cargo de CEO.

"O plano de separação das operações parece estar em andamento", disse Christian Ludwig, analista do Bankhaus Lampe. "É um pouco desagradável para os acionistas ouvir sobre custos sem que tenha havido uma explicação muito concreta até o momento."

Pressão por valor

A Daimler é a maior fabricante de carros de luxo e caminhões pesados do mundo, mas o valor de suas operações não se reflete inteiramente no preço das ações, segundo a Evercore ISI, que estima o valor do grupo em 107 bilhões de euros se a unidade de veículos comerciais negociar ações, cerca de 45 por cento a mais que sua avaliação atual.

As ações da Daimler subiram 1,5 por cento, para 68,94 euros, e registravam alta de 0,9 por cento às 16h50 em Frankfurt. A ação acumula queda de 3,2 por cento no ano porque as avaliações das fabricantes de automóveis internacionais estão sendo pressionadas pela enorme transição para os modelos movidos a bateria e pelo advento de serviços como o transporte particular, que desafiam a propriedade tradicional de carros.

Como parte do plano de reformulação, a Daimler prolongou um acordo trabalhista para as unidades alemãs da empresa que descarta demissões forçadas até 2030, informou o conselho de trabalhadores do grupo em comunicado enviado por e-mail. O acordo, que abrange cerca de 130.000 trabalhadores de um total de mais de 290.000 funcionários da Daimler, também inclui bônus baseados em participações nos lucros das futuras unidades até 2025.

Além disso, a fabricante alemã destinará 35 bilhões de euros a investimentos em carros elétricos e outras novas tecnologias nos próximos sete anos e está contribuindo com 3 bilhões de euros para seus planos de pensões.

--Com a colaboração de Christoph Rauwald

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