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Paládio supera US$ 1.000 pela primeira vez desde 2001

Ranjeetha Pakiam e Tom Wilson

16/10/2017 10h47

(Bloomberg) -- O preço do paládio superou a casa de US$ 1.000 por onça (31,1 gramas) pela primeira vez desde 2001 devido ao aumento da demanda global pelo metal para uso nos catalisadores instalados em veículos a gasolina.

Os preços subiam 1,6 por cento nesta segunda-feira, para US$ 1.007,42, antes de o material passar a ser negociado a US$ 1.005,57 às 8h48 em Londres. O metal é uma das commodities de melhor desempenho deste ano, com alta de 48 por cento, mais de três vezes o avanço do ouro e cerca de 10 vezes o ganho da platina, que pertence à mesma família de metais.

"O paládio continua sendo estimulado pelo impulso positivo criado pelas expectativas de déficit de oferta em meio à demanda crescente", disse Ole Hansen, chefe de estratégia de commodities do Saxo Bank A/S, por e-mail. Os metais industriais subiram neste ano em meio à recuperação da economia mundial, e nesta segunda-feira o cobre rompeu a barreira dos US$ 7.000 por tonelada pela primeira vez desde 2014.

No mês passado, pela primeira vez em 16 anos, o metal se tornou mais caro do que a platina. Esta é usada para reduzir a emissão de poluentes por veículos a diesel, atualmente menos populares, especialmente na Europa Ocidental, depois que algumas fabricantes de veículos admitiram que fraudaram testes de emissão de poluentes.

A situação da platina pode piorar. A participação de mercado dos motores a diesel na Europa pode cair pela metade até 2025, potencialmente eliminando 300.000 a 600.000 onças de demanda por platina nos próximos 10 anos, segundo o Citigroup. O paládio, por outro lado, deverá continuar em déficit, mas essa escassez começará a diminuir a longo prazo, segundo o banco.

O Citigroup prevê que os excedentes globais de platina se estenderão a 2020. A escassez de paládio, por sua vez, deverá superar a casa de um milhão de onças no ano que vem e depois cair para 750.000 onças em 2020, segundo o banco.

Vendas de carros

"Apesar da inversão do diferencial entre os platinoides desde o fim de setembro, continuamos favoráveis ao paládio a curto prazo", disseram analistas do Citigroup, incluindo Nell Agate, em nota com data de 13 de outubro. "No entanto, os riscos de substituição, cada vez mais iminentes, impedem uma visão absolutamente otimista em relação ao paládio a longo prazo."

O United Overseas Bank afirmou na semana passada que prevê que a demanda crescente por dispositivos para controle das emissões geradas pela gasolina respalde o preço do paládio e continue alimentando um desempenho superior ao da platina.

O crescimento das vendas de carros na Europa acelerou em agosto porque a expansão econômica encorajou as compras e as fabricantes francesas PSA Group e Renault ganharam compradores com novos SUVs e hatchbacks. As vendas de carros deverão aumentar ainda mais neste ano porque as fabricantes estão oferecendo incentivos para a troca de carros a diesel mais antigos por modelos que atendem a padrões de poluição mais estritos em meio à pressão do governo alemão decorrente do escândalo de fraude nas emissões na Volkswagen.