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Mulheres ultraortodoxas empreendem na tecnologia em Israel

Gwen Ackerman

17/10/2017 10h55

(Bloomberg) -- Enquanto o Vale do Silício está apenas começando a enfrentar décadas de sexismo e discriminação, mulheres na comunidade ultraortodoxa de Israel dizem que a segregação de seus papéis de gênero tem um benefício involuntário ? estimular cada vez mais o empreendedorismo entre as mulheres.

Na comunidade haredi, muitas mulheres atuam como principal responsável pelo cuidado e pelo sustento da família, enquanto os maridos se concentram no estudo da Torá. Uma consequência é que o empreendedorismo costuma ser um caminho melhor para as mulheres ortodoxas sustentarem suas famílias numerosas.

"Desde pequenas nos ensinam que nosso papel como mulher é ser o arrimo de família", disse Sari Roth, de 40 anos, CEO da Bontact e mãe de sete filhos. "Isso significa que precisamos lutar, não desistir e fazer de tudo para não fracassar."

Recrutar mais ultraortodoxos em uma indústria de tecnologia que sofre com a falta de trabalhadores qualificados se tornou um objetivo nacional em Israel, e diversos órgãos do governo estão empenhados em atingir as metas nacionais. Um dos desafios é que muitos ultraortodoxos buscam ambientes de trabalho que lhes permitam manter suas rigorosas vidas religiosas.

Separação

Um exemplo é o planejamento do escritório: nem todas as empresas querem montar uma cozinha kosher ou um lugar onde as funcionárias se sentem longe dos homens. A Bontact, que fornece uma plataforma de mensagens multicanal para 50.000 empresas, instalou divisórias transparentes para que trabalhadores de ambos os sexos possam se encontrar sem violar as regras de modéstia.

O número elevado de filhos entre as mulheres haredi pode ser um obstáculo para os cargos seniores nas empresas seculares.

Avital Beck, de 35 anos, que tem seis filhos e um doutorado em biologia molecular, cofundou sua empresa MilkStrip para poder ter um emprego desafiador e horários flexíveis para ter tempo para dedicar a seus filhos.

"Como a maioria dos empregos seniores no setor tecnológico é muito inflexível, simplesmente fazia sentido fundar minha própria empresa", disse Beck.

Na base de dados da Kamatech, um empreendimento financiado pelo governo dos EUA e por capital privado com o objetivo de empregar mais judeus ultraortodoxos no setor de tecnologia de Israel, cerca de 40 por cento dos 1.100 empresários listados são mulheres, em contraste com apenas cinco em 2012.

"Eu falo em um monte de encontros e eventos de tecnologia, e a única vez que eu olhei ao redor na sala e vi tantas mulheres quanto homens foi em um evento da Kamatech", disse Adi Soffer Teeni, gerente-geral do Facebook em Israel.

Textos antigos

Michal Tzuk, vice-diretor do Ministério do Trabalho de Israel, disse que o número de mulheres haredi que escolhem se tornar empreendedoras cresce mais rapidamente do que o número de mulheres seculares.

Isso não é surpreendente para quem vive na comunidade haredi, onde as meninas estudam matemática e ciência e frequentemente vão para a faculdade, enquanto os meninos aprendem textos judeus antigos. Mais tarde, na vida conjugal, provavelmente é a esposa que cuida das finanças enquanto o marido se concentra em assuntos espirituais.

Além de criar um trabalho flexível e gratificante, a fundação de uma empresa oferece a possibilidade de pagar melhor aos membros de uma comunidade onde os níveis de pobreza são muito maiores do que entre a população judaica de Israel em geral.