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Uber e Lyft são mesmo práticos: Bloomberg View

Justin Fox

17/10/2017 13h50

(Bloomberg) -- Os serviços de transporte particular como Uber e Lyft parecem aumentar o número de quilômetros rodados de carro em cidades onde são muito utilizados, além de reduzirem o uso do transporte público, de acordo com um estudo da Universidade da Califórnia em Davis publicado na semana passada.

Que estranho, não? Você torna mais fácil e mais barato para as pessoas andar de carro, e mais pessoas passam a andar de carro.

Já foi documentado em Nova York e São Francisco que o advento dos serviços de transporte particular provavelmente aumentou o trânsito nas ruas, em vez de reduzi-lo. O novo estudo de Regina R. Clewlow e Gouri Shankar Mishra para o Instituto de Estudos sobre Transporte da UC Davis se baseia em uma pesquisa com 4.094 moradores das áreas de Boston, Chicago, Los Angeles, Nova York, São Francisco, Seattle e Washington. Está cheio de dados interessantes e úteis. Mas eu quero me distanciar um pouco da noção, inerente à maioria das reportagens sobre o relatório, de que suas conclusões representam uma espécie de ataque contundente contra a Uber Technologies, a Lyft e outras empresas do tipo.

As pessoas contratam Uber e Lyft para o transporte porque esse transporte é de valor para elas. Na maioria dos casos, pedir um carro substitui algum outro meio de transporte ? principalmente o carro próprio, às vezes o sistema público, raramente os táxis (que, fora de Nova York e do centro de algumas outras cidades dos EUA, simplesmente nunca foram uma opção conveniente). Além disso ? e este parece ser o principal motivo do aumento dos quilômetros rodados ?, 22 por cento das corridas desses serviços parecem ser trajetos que, de outra forma, não teriam sido percorridos.

Os dois principais destinos das corridas dos serviços de transporte particular são "bares e festas" (38 por cento) e "restaurantes e cafeterias" (24 por cento). Além disso, os usuários tendem a ser jovens, qualificados e afluentes, e, segundo eles, os principais motivos para pedir um Uber ou Lyft em vez de usar o próprio carro são "evitar dirigir quando eu possa beber" e que o estacionamento seja muito difícil de achar ou muito caro.

Em suma, muitos jovens e pessoas razoavelmente bem remuneradas nas grandes cidades e nos arredores estão usando Uber e Lyft para sair à noite. Alguns fazem isso para evitar dirigir bêbado ou ter que estacionar, outros, porque acham mais prático que o transporte público. Em alguns casos, as pessoas saem quando normalmente ficariam em casa. O resultado pode ser um aumento na quantidade de quilômetros rodados, mas também é um aumento na utilidade. Mais pessoas estão conseguindo fazer o que querem, e mais atividade econômica está surgindo. Também vale a pena observar que, embora um estudo recente das corridas do transporte particular em São Francisco tenha mostrado um uso maior nos horários de pico tanto da manhã quanto da tarde, o horário nobre para o serviço parece ser entre às 18 e às 22 horas ? ou seja, não durante o pior momento do tráfego. Em resumo, isso não soa como uma consequência terrível.

Também não soa como uma incrível revolução do transporte que transformará nossas cidades em utopias. Muitas complicações e problemas acompanham essa nova maneira de se locomover, e as cidades terão que tomar muitas decisões difíceis sobre regulamentação e, provavelmente, tributação. Mas o fato de que esses serviços estejam permitindo que mais pessoas se locomovam com mais frequência do que antes é, na verdade, algo positivo, não um problema a ser remediado.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião do conselho editorial nem da Bloomberg LP e de seus proprietários.