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Alugar em algumas cidades é tão caro que parece barato em NY

Andre Tartar e Wei Lu

20/10/2017 15h26

(Bloomberg) -- Agora que no mundo inteiro muitas pessoas estão se mudando para as cidades e procurando moradia, uma coisa fica clara: para a maioria será difícil pagar um lugar para morar.

A renda líquida mensal média não cobrirá o custo de comprar uma residência de aproximadamente 90 metros quadrados nem de alugar uma casa de três quartos em nenhuma das 105 regiões metropolitanas classificadas pelo Bloomberg Global City Housing Affordability Index -- com base em uma regra geral entre os bancos dos EUA de que não se deve gastar mais de 28 por cento da renda líquida em moradia. Somente 12 cidades seriam consideradas acessíveis se o gasto fosse de 50 por cento.

Os moradores enfrentam muitos obstáculos, como regulamentos de uso do terreno urbano, mercados de aluguel subdesenvolvidos e dificuldade para obter financiamento, de acordo com Enrique Martínez-García, economista sênior de pesquisa no Federal Reserve de Dallas, EUA, que estuda preços de moradias. Em termos de políticas, não há soluções claras para esses problemas, acrescenta.

"Não ter acesso a crédito é um obstáculo para desenvolver um mercado imobiliário saudável", disse ele. "Mas abri-lo rápido demais também pode ser um problema; isso poderia levar a uma situação de ascensão e queda."

O índice da Bloomberg calcula a acessibilidade de alugar ou comprar em centros urbanos e subúrbios. As classificações se baseiam em dados declarados pelos participantes, como salário líquido e taxas de juros hipotecários, e compilados pela Numbeo.com, uma base de dados on-line de estatísticas sobre cidades e países.

Desde 2012, 48 cidades do índice Bloomberg se tornaram menos acessíveis e em 51 a acessibilidade melhorou (não há dados históricos disponíveis para as 105 cidades). Em nove das 10 últimas, a renda líquida média caiu, ao passo que em oito das 10 primeiras cidades a renda aumentou e os custos de aluguel e hipotecas diminuíram.

As economias emergentes atualmente são as menos acessíveis em termos de habitação, lideradas por Caracas e Kiev na Ucrânia. Entre as outras 20 últimas cidades, há sete na Ásia (quatro são chinesas) e seis na América Latina.

No Rio de Janeiro, a segunda maior cidade do Brasil, a renda líquida mensal média de US$ 640 não consegue pagar um aluguel nem mesmo nos arredores da cidade, e muito menos fornece os meios para comprar uma casa ou um apartamento no centro da cidade, onde os valores mensais das hipotecas se aproximam de US$ 2.000. Isso contribui para a existência de famílias com múltiplas fontes de renda e também pode explicar por que mais de um em cada cinco habitantes do Rio moravam em favelas em 2010, segundo os dados mais recentes disponíveis. Seis das 10 cidades que registraram a maior piora nos últimos cinco anos estão na América Latina.

Sete das 10 cidades mais acessíveis estão na América do Norte: quatro nos EUA e três no Canadá. A região metropolitana menos acessível entre esses dois países é Vancouver, onde um fluxo de dinheiro estrangeiro provocou um aumento dos preços das casas. Nova York ficou perto do meio do índice.