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Madri pressiona, mas Catalunha prepara declaração independência

Esteban Duarte

20/10/2017 15h09

(Bloomberg) -- Em momentos em que o conflito na Catalunha entra em um território inexplorado, os dois lados estão aumentando as apostas.

Em Madri, as autoridades estão finalizando os planos para assumir o controle da região rebelde. Eles serão aprovados em uma reunião extraordinária do Gabinete no sábado, quando o primeiro-ministro Mariano Rajoy voltar de uma cúpula em Bruxelas, onde está procurando fortalecer o apoio dos líderes europeus. Já os catalães estão trabalhando na forma em que poderiam declarar unilateralmente a independência.

"Temos que tomar uma decisão nos próximos dias", disse Jordi Xuclà, deputado catalão pelo partido PDeCAT no Parlamento espanhol em Madri, em entrevista à Bloomberg Television na quinta-feira. "Naturalmente, a decisão poderia ser a declaração de independência, talvez daqui a uma ou duas semanas."

Ambas as partes se aproximaram mais um pouco do abismo na quinta-feira, um dia histórico de ameaças e contra-ameaças. Rajoy pediu a seus assessores que preparassem, pela primeira vez na história, os poderes constitucionais mais amplos do governo da Espanha.

A Assembleia Nacional Catalã, um grupo que faz campanha pela separação, pediu que os simpatizantes sacassem dinheiro dos bancos, entre eles o CaixaBank SA e o Banco Sabadell SA, entre as 8h00 e as 9h00 desta sexta-feira. Em vídeo publicado no Twitter, o grupo pediu aos catalães que protestassem contra a decisão tomada pelos dois bancos de retirar suas sedes legais da região. Porta-vozes dos dois bancos disseram que as atividades eram normais na manhã desta sexta-feira.

Riscos

O próximo passo, crítico, é arriscado para ambas as partes.

O primeiro-ministro, cuja autoridade já foi abalada por uma rebelião sem precedentes na maior economia regional do país, tentará fazer a Catalunha recuar usando o armamento legal não testado do Artigo 155° da Constituição espanhola. Ele tem pouco apoio popular na região e seus oponentes aprimoraram as operações de guerrilha ao longo de sete anos de campanha.

Para o presidente catalão Carles Puigdemont e seus aliados, as apostas são indiscutivelmente ainda maiores -- dois de seus colaboradores mais próximos estão presos desde segunda-feira porque um juiz do Tribunal Nacional considerou que eles poderiam interferir nas provas se fossem liberados. Se eles forem condenados por sedição, enfrentarão 15 anos de prisão.

Os líderes da União Europeia apoiaram Rajoy na quinta-feira e a UE deixou claro que uma Catalunha independente ficaria fora do bloco, suas empresas seriam excluídas dos mercados europeus e seus bancos perderiam o financiamento do Banco Central Europeu. As principais empresas catalãs, como o CaixaBank e a Gas Natural SDG, já começaram um êxodo de companhias para outras partes da Espanha para fugir de uma situação de possível agitação.

Os separatistas estão apostando que os líderes europeus vão preferir quebrar suas próprias regras a ver o caos aumentar, apesar de muitos considerarem uma declaração de independência como um ato de automutilação econômica.

"O fato de o governo espanhol não querer uma mediação não significa que eles não acabem aceitando uma", disse o vice-presidente e chefe de política econômica da Catalunha, Oriol Junqueras, em entrevista em Barcelona na quinta-feira.

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