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Desaceleração do euro reduz apelo por moedas do Leste Europeu

Aline Oyamada

25/10/2017 15h27

(Bloomberg) -- As moedas de países emergentes que proporcionaram as maiores taxas de retorno no carry trade em 2017 não são necessariamente as melhores apostas para os dois últimos meses do ano.

A expectativa é que a força do euro - que levou de carona moedas do Leste Europeu como a coroa da República Checa e o zloty da Polônia - desacelere.

Para o resto do ano, investidores que tomam empréstimos em dólares e aplicam em nações em desenvolvimento (a operação conhecida como carry trade) podem voltar suas atenções para países onde os juros altos vão puxar as taxas de retorno, como Brasil, México e Indonésia ? mesmo com a baixa probabilidade de apreciação significativa de suas moedas.

O raciocínio - defendido por estrategistas como Marcin Lipka, da Cinkciarz Pl, na Polônia - é que questões políticas na zona do euro, como o separatismo na Catalunha e as eleições gerais na Itália, devem desacelerar os ganhos da moeda única em relação ao dólar. Se for o caso, os investidores ganham mais se focarem em países onde as taxas básicas de juros podem ser cinco vezes maiores do que no Leste Europeu.

"O euro pode iniciar um longo período de correção devido a algumas preocupações políticas", disse Lipka, que é um dos profissionais com projeções mais precisas para a lira da Turquia e o leu da Romênia, de acordo com rankings da Bloomberg. Ele espera que moedas do Leste Europeu registrem retorno negativo no carry trade em 2018, à medida que o dólar se recupera.

De acordo com a estimativa mediana de uma sondagem da Bloomberg com economistas, o euro vai terminar o ano praticamente no valor atual, em US$ 1,18. Para 2018, a previsão é de ganho de 3,4 por cento, bem menos do que o avanço de 10 por cento já registrado em 2017.

A compra de zlotys e coroas checas com dólares emprestados ofereceu retorno superior a 16 por cento em 2017, o maior entre as 42 moedas acompanhadas pela Bloomberg. Ainda assim, as taxas básicas de juros nesses países não passam de 1,5 por cento, comparado a 8,25 por cento no Brasil e 7 por cento no México.

O índice MSCI que acompanha moedas de países em desenvolvimento subiu 7,9 por cento neste ano.

Guillaume Tresca, estrategista sênior para mercados emergentes do Crédit Agricole em Paris, acredita que o cenário externo continua positivo para os países em desenvolvimento . Ele recomenda moedas de alto rendimento, como o real, o peso mexicano, o rublo da Rússia, a rúpia da Indonésia e a rúpia da Índia para ganhos no com taxas de juros e apreciação. Tresca acha melhor evitar o rand sul-africano e a lira da Turquia: "Eu seria cada vez mais seletivo."

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