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Um motivo para vender títulos do Brasil? Previdência

Aline Oyamada

31/10/2017 11h37

(Bloomberg) -- Desvanecem as esperanças de que o Brasil consertará seu sistema previdenciário caro e ineficiente antes da eleição presidencial do próximo ano, e a Schroders já está de olho na porta de saída.

"A reforma da previdência é fundamental para que o Brasil coloque sua situação fiscal em ordem no médio prazo", disse Jim Barrineau, codiretor de dívida dos mercados emergentes da Schroders, que afirmou que vai reduzir sua posição overweight sobre a dívida local se a reforma estagnar. "Sem essa reforma, praticamente não haverá um caminho para estabilizar os coeficientes entre dívida e PIB em um período de cinco anos, e esperaríamos que o país vire candidato a um rebaixamento da classificação de crédito."

As ações, os títulos e a moeda do Brasil caíram na semana passada, quando o presidente Michel Temer, cuja iniciativa de reformar a previdência enfureceu os eleitores, obteve uma margem menor do que os mercados projetavam para derrotar uma segunda tentativa de processá-lo por corrupção. Os legisladores votaram por 251 contra e 233 a favor de arquivar as denúncias, abaixo dos 257 votos que o JPMorgan havia estipulado como o menor nível para um resultado positivo.

O real caiu ontem, a maior perda entre as principais moedas, enquanto os mercados calculavam o aumento do risco político e as chances mais escassas de que a reforma da previdência seja aprovada antes da eleição.

"Havíamos argumentado anteriormente que as chances de reformas significativas do sistema previdenciário tinham caído para cerca de 50/50", escreveram analistas da Capital Economics liderados por Neil Shearing em uma nota após a votação da semana passada. "Isso agora parece generoso demais."

O sistema previdenciário do Brasil não tem uma idade mínima de aposentadoria e oferece altas taxas de substituição salarial em um momento em que a expectativa de vida está aumentando. O Brasil gasta uma porcentagem maior de seu produto interno bruto em obrigações de pensão do que o Japão, embora a proporção da população idosa do Brasil seja inferior à metade da proporção no país asiático.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, reafirmou a expectativa do governo de que a reforma seja aprovada neste ano e disse que o projeto de lei chegará ao Congresso para votação até meados de novembro. No entanto, a Moody's Investors Service afirmou na semana passada que uma reforma grande é improvável. Na melhor das hipóteses, o governo acabará economizando cerca de metade do dinheiro que originalmente buscava, segundo a companhia de classificações.

O gasto do governo com aposentadorias representa cerca de 13 por cento do produto interno bruto, de acordo com números oficiais. Se não for modificado, o custo das aposentadorias do setor privado aumentaria para mais que o dobro até 2060, de 8,1 por cento do PIB atualmente para 17,2 por cento. Uma estimativa do instituto nacional de estatística mostra que a população ativa cairá 6,7 por cento até 2060, mas o número de aposentados crescerá 263 por cento.

--Com a colaboração de Mario Sergio Lima e David Biller