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Contratos futuros legais do bitcoin atraem Wall Street

Rob Urban

(Bloomberg) -- O bitcoin ganhará legitimidade, para o bem ou para o mal.

A moeda digital que foi chamada de fraude por Jamie Dimon, do JPMorgan Chase & Co., entrará nas finanças convencionais agora que a CME Group anunciou que incorporará o trading em futuros do bitcoin até o fim do ano. A medida tomada pela maior proprietária de bolsas do mundo dará mais poder ao ativo criado por software e finalmente lhe dará certa proteção normativa.

Há apenas um mês, um dos principais executivos da CME Group disse que não previa cotar futuros do bitcoin no futuro próximo. O CEO Terrence Duffy mencionou a demanda contida dos clientes como um dos motivos fundamentais para a mudança de opinião. O bitcoin bateu um recorde após a divulgação da notícia na terça-feira - e já subiu mais de 550 por cento neste ano.

"Um mercado de derivativos completamente regulamentado abrirá as portas para uma avalanche de demanda institucional", disse Spencer Bogart, diretor de pesquisa da Blockchain Capital, uma investidora de capital de risco com sede em São Francisco. E para Wall Street, o bitcoin é atraente. "É volátil, o trading nunca para e os mercados são ineficientes, portanto eles oferecem boas oportunidades de mediação."

Atualmente, a startup LedgerX opera swaps e opções de bitcoin, e a Cboe Global Markets planeja criar um contrato futuro até o fim do ano ou o começo de 2018, quando receber aprovação da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC, na sigla em inglês). A CME também precisará da aprovação da CFTC.

Com a disponibilidade de contratos futuros, ficará mais fácil vender a descoberto o bitcoin, apostando em quedas. A liquidez aumentará porque traders de alta frequência atuarão como formadores do mercado, com permissão para seguir estratégias neutras e encerrar o dia sem avanços nem recuos.

Um mercado de derivativos funcional também poderia dar a traders e investidores profissionais acesso ao bitcoin sem que eles tenham que operar em locais desconhecidos, que poderiam ser arriscados de acordo com as normas contra a lavagem de dinheiro e de conhecer o cliente. Isto permitirá que traders cubram posições de caixa com a moeda digital, o que é difícil de fazer até o momento.

Conquistar investidores

A CME terá dificuldades para conquistar alguns investidores. Se o preço subjacente não for razoável, isso poderia afastar algumas pessoas, disse Mark Williams, professor de Finanças da Faculdade de Administração Questrom da Universidade de Boston.

"O receio é que a CME tente tratar o bitcoin como um futuro de milho ou de trigo, mas esta commodity pertence a uma classe própria de alto risco", disse Williams. "Um dos principais pontos de compra e venda de bitcoins são bolsas desonestas e desreguladas que estão fora do alcance dos órgãos reguladores dos EUA."

Apesar de todas as possíveis desvantagens, o benefício de se ter mais regulamentação é inegável, disse Jon West, diretor de traders da corretora de ativos digitais Omega One. "O trading de futuros deveria afastar parte dos negócios do mercado negro e levá-los para lugares mais regulados."

--Com a colaboração de Brian Louis Nick Baker Matthew Leising e Olga Kharif

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