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Dividida, oposição venezuelana concorda em boicotar eleições

Andrew Rosati

(Bloomberg) -- A oposição venezuelana está se fragmentando, mas os líderes da coalizão Mesa da Unidade Democrática concordam em algo: é melhor boicotar as eleições municipais de 10 de dezembro do que tentar vencer o regime do presidente Nicolás Maduro nas urnas.

Com o início do cadastramento, nessa semana, para mais de 300 eleições para prefeito, os principais partidos da aliança conhecida pela sigla MUD anunciaram que não participarão da votação. Após acusações generalizadas de fraude contra o governo nas eleições para governador, em 15 de outubro, muitos integrantes da frágil coalizão formada por uma dúzia de partidos se concentrarão em garantir eleições presidenciais justas no ano que vem em vez de disputar cidade por cidade.

"A MUD chegou ao fim em 15 de outubro; existe apenas no papel", disse Dimitris Pantoulas, consultor político em Caracas. "Não existe acordo entre os líderes, mas eles entendem que ninguém votará nas eleições."

A democracia venezuelana está se deteriorando no mesmo compasso da economia do país. Enquanto a inflação caminha para os quatro dígitos, o governo tem dificuldades para cobrir suas dívidas. A gigantesca petroleira estatal PDVSA, principal geradora de dólares do governo, carrega sua parte do fardo: pagou mais de US$ 800 milhões de capital dos títulos que venciam na sexta-feira e tem outro pagamento de dívida, de US$ 1,2 bilhão, programado para quinta-feira.

Prioridades

Em vez de debaterem a possibilidade de um calote desastroso, os políticos da Venezuela tentam resolver questões básicas de uma democracia. A oposição, que não conseguiu derrubar Maduro nem pelo voto, nem com protestos, discute se as eleições não estão servindo apenas para dar impulso publicitário ao regime autocrático. Mas o sacrifício das prefeituras pode desencorajar ainda mais os cansados apoiadores e o lento aumento do preço do petróleo -- força vital da economia venezuelana -- pode ampliar ainda mais o poder de Maduro.

Na segunda-feira, o Primeiro Justiça, maior partido da oposição, anunciou que boicotará as eleições municipais. O segundo maior, o Ação Democrática, seguiu o exemplo. O poderoso Vontade Popular anunciou que não participará e os outros ainda estão debatendo.

"Queremos eleições sem chantagem, sem pressão sobre a imprensa, sem desqualificações", disse o presidente da Assembleia Nacional e líder do Primeiro Justiça, Julio Borges, em entrevista televisionada. "Lutaremos por garantias para ter um novo governo."

Reversão repentina

A oposição tem tido dificuldades para explicar os resultados das eleições governamentais aos apoiadores, que durante meses foram às ruas para protestar contra Maduro. Apesar de as pesquisas de opinião terem sugerido uma vitória esmagadora, a MUD perdeu 18 das 23 disputas.

O comparecimento às urnas foi baixo, mas os líderes miraram uma série de truques sujos do governo, como transferências de locais de votação de última hora e a manutenção de candidatos eliminados nas primárias nas cédulas de votação para confundir os eleitores, e chegaram até a acusar o governo de encher diretamente urnas com cédulas.

"O governo não quer que participemos de nenhum processo eleitoral e por isso cria condições mais difíceis, quase impossíveis de superar", disse Henry Ramos Allup, presidente da Ação Democrática, a jornalistas nesta semana.

--Com a colaboração de Noris Soto e Ben Bartenstein

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