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Teoria comportamental embala apostas de gestora de US$ 7,5 bi

Jonas Cho Walsgard

(Bloomberg) -- Seres humanos costumam ter opiniões tendenciosas. Quem as compreende pode ficar muito rico.

Em entrevista realizada em Oslo na semana passada, Stacey Nutt, o diretor de investimentos da gestora de recursos ClariVest Asset Management, explicou como a economia comportamental ajuda sua equipe a superar o mercado. Segundo Nutt, a sacada é focar em "tendências fundamentais pouco apreciadas".

"Movimento fundamental, sem grande empolgação. Esta é uma combinação interessante para nós", ele disse. "Quando ainda existe o que eu chamaria de uma camada de cinismo sobre essas tendências."

Céticos têm questionado a noção de que os investidores são capazes de superar o mercado ultimamente. No entanto, gestoras de perfil ativo estão tentando se manter à frente usando teorias de finanças comportamentais como as que foram desenvolvidas pelos ganhadores do prêmio Nobel Richard Thaler (coautor do livro "Nudge: O Empurrão para a Escolha Certa") e Daniel Kahneman. Essas instituições tentam evitar viés comportamental quando tomam suas próprias decisões e procuram ganhar em cima do viés dos outros.

A ClariVest, que tem sede em San Diego, assessora Fidelity e Nordea e chegou a implementar sistemas para estimular seus gestores a se comportarem de modo que eleve as taxas de retorno, de acordo com Nutt, que é responsável por US$ 7,5 bilhões em ativos.

"Nossas ferramentas de seleção destacam ideias de venda de ativos em nossas carteiras", ele explicou. "O gestor de carteiras é estimulado a vender a ação. Ele não é forçado, mas estimulado e lembrado. O viés comportamental leva investidores a ficar tempo demais com ativos perdedores e esse empurrão ajuda nossos gestores de carteiras a evitar esse viés."

A ClariVest usa ferramentas quantitativas e qualitativas para encontrar ideias de investimento. A firma emprega um modelo quantitativo baseado em 12 a 15 fatores técnicos e fundamentais todos os dias para achar "eventos de conservadorismo" - ou seja, quando o mercado reage de modo conservador a fundamentos recentes intensos.

O Eagle Capital Appreciation Fund, administrado por Nutt, ofereceu retorno anual médio de 17 por cento nos cinco anos, superior a 89 por cento de seus pares, segundo dados compilados pela Bloomberg.

"Nós não compramos as melhores ideias", ele disse. "Nós usamos a oportunidade de apostar nessas tendências antecipadamente, sabendo que uma parcela significativa das ideias nas quais investimos não vai virar tendência. Iremos nos livrar delas."

Uma aposta recente é a Wal-Mart Stores, que opera em um setor que sofre muita pressão, de acordo com Nutt. "Gostamos da Wal-Mart como concorrente pouco notada da Amazon", ele disse. "É uma das poucas varejistas com porte para competir com a Amazon, com a rede de distribuição e a infraestrutura necessárias e começando a ficar mais competitiva online."

Para muitas outras varejistas dos EUA será difícil e não se sabe quais vão sobreviver, disse Nutt. O comércio "online está simplesmente destruindo essas empresas", ele afirmou. "Será um setor muito difícil por um bom tempo."

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