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Mulheres descrevem cenas de discriminação e vingança na Fidelity

Sabrina Willmer

(Bloomberg) -- Os problemas de Erika Wesson na Fidelity Investments começaram com um email anônimo em 2008: "Talvez você possa sair por aí e fazer outra operação perdendo milhões. Cadela burra!"

Na época, Wesson trabalhava como analista e diz que era a única mulher na equipe que cobria o setor imobiliário para investidores institucionais.
O email - enviado de uma conta do Yahoo cujo endereço se referia grosseiramente ao corpo dela - afirmava que ela seria demitida.

A partir dali, a situação piorou. Wesson se envolveu em uma disputa de anos com a gigante de fundos mútuos que revela muito sobre como são tratadas mulheres que acusam homens de discriminação.

A Fidelity nega veementemente a versão de Wesson, documentada em centenas de páginas de um caso que ainda corre na Justiça estadual em Boston, onde fica a sede da instituição.

Na quinta-feira, a história de Wesson saiu nos jornais da cidade onde ela cresceu. Estão surgindo mais detalhes depois que dois importantes gestores de recursos da Fidelity foram demitidos há poucas semanas, acusados de assédio sexual. Tudo isso expôs o que funcionários caracterizam como mentalidade de exclusão de mulheres em determinadas áreas da instituição.

Seis queixas

Contando o caso de Wesson, foram abertas pelo menos seis queixas de discriminação contra mulheres na Fidelity na última década, de acordo com uma revisão de documentos judiciais e estaduais.

Geralmente essas disputas são resolvidas a portas fechadas e os acordos resultantes proíbem que as mulheres discutam novamente o que aconteceu. Os casos mais recentes proporcionam uma visão privilegiada do tratamento de profissionais do sexo feminino em uma das maiores gestoras de recursos do mundo, que supervisiona US$ 2,3 trilhões em ativos para 25 milhões de clientes.

Das seis queixas apresentadas à Comissão contra Discriminação do Estado de Massachusetts, três foram rejeitadas e três terminaram em acordo, incluindo a de Wesson. Os dois outros acordos envolvem acusações de tratamento pior de uma mulher que teve relacionamento amoroso com colega e de retaliação contra uma funcionária que revelou ser assediada.

Em uma rara declaração pública, Abigail Johnson, herdeira da Fidelity e atual presidente da instituição, prometeu cortar pela raiz o mau tratamento de mulheres. Em vídeo disponibilizado aos 40.000 empregados da Fidelity em 23 de outubro e em discurso no dia seguinte em uma conferência em Washington, ela prometeu combater o assédio sexual. Em setembro, ela já tinha prometido contratar mais mulheres.

Erika Wesson não será uma delas. A Fidelity pagou à ex-funcionária US$ 500.000 como parte de um acordo confidencial em 2011, que incluía promessas de dar a ela boas referências para um futuro emprego.

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