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Hedge funds reduzem apostas no cobre e ampliam resgates

Luzi-Ann Javier

(Bloomberg) -- Os investidores estão ficando menos confiantes de que o rali do cobre deste ano durará muito mais, mesmo que grandes produtoras como Codelco e BHP Billiton pintem um quadro otimista para a demanda global.

Os hedge funds reduziram as apostas otimistas líquidas no metal justamente no momento em que os preços registraram o quarto ganho mensal desde maio e caminhavam para o maior aumento anual em sete anos. Os detentores do ETFS Copper, maior fundo negociado em bolsa que monitora o cobre, retiraram US$ 18,5 milhões em outubro, terceira retirada de recursos mensal e sequência mais longa de resgates desde 2015.

Os metais industriais estão subindo neste ano devido aos sinais de oferta mais restrita, de aceleração do crescimento econômico global e de novas fontes de demanda. O Goldman Sachs ampliou as projeções de preços no mês passado e a Codelco afirmou em 31 de outubro que os preços poderiam atingir altas recorde. Mas em vez de esperar para ver se o otimismo se confirmaria, alguns investidores estão fazendo resgates.

Os gerentes de recursos reduziram suas posições compradas líquidas para o cobre, ou seja, a diferença entre as apostas no aumento e no declínio dos preços, em 3,4 por cento, para 105.077 contratos futuros e de opções, no período de uma semana encerrado em 31 de outubro, segundo dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos EUA divulgados na sexta-feira.

A seguir, indicadores otimistas que os investidores podem ter ignorado:

1. Interrupções

O "muro de oferta", que segundo projeção do Goldman de agosto de 2016 derrubaria os preços do cobre, não se materializou porque a produção foi reduzida por interrupções nas duas maiores minas do mundo. As preocupações com uma possível desaceleração do crescimento da China também diminuíram, o que ajudou a convencer os analistas do banco, no fim de outubro, a elevarem a projeção de 12 meses para os preços de US$ 5.500 por tonelada para US$ 7.050.

2. Sinais de aperto

A Codelco, maior produtora mundial do metal, elevou o ágio que cobra pela entrega do metal aos clientes europeus pela primeira vez em quatro anos devido à demanda crescente. A Freeport-McMoRan informou que pretende reduzir o valor pago para processar concentrados e transformá-los em metal porque as refinarias estão competindo por uma oferta limitada.

3. Concorrência maior

As empresas de mineração estão correndo para ampliar a produção para tirar proveito da crescente demanda impulsionada pela popularidade cada vez maior dos carros elétricos. A BHP Billiton, maior mineradora do mundo, procura mais depósitos de cobre, porque prevê um aumento de 12 milhões de toneladas na demanda pelo metal com a chegada de 140 milhões de carros elétricos às ruas até 2035. A bilionária Gina Rinehart está se unindo à caçada depois de vencer concorrentes de países como Austrália e Canadá para a aquisição dos direitos de exploração para uma concessão recentemente concedida no norte do Equador, segundo o governo.


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