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Investidor mais exigente para IPOs deixa empresas em dilema

Taís Fuoco e Roger Oey

(Bloomberg) -- Em um ano em que o número de ofertas iniciais de ações e follow-ons foi robusto, os detalhes das operações mostram, no Brasil e no México, um investidor mais exigente e seletivo. As transações mostram que o investidor pediu e obteve redução no preço das ações e, em alguns casos, levou ao cancelamento das operações.

A postura do investidor tem deixado as empresas no dilema entre aproveitar o momento de reação da economia, mesmo que levantando menos capital do que previam, ou esperar e arriscar ver sua oferta chegar em um ano de eleições presidenciais, em que a volatilidade aumenta e a reação da economia ainda é uma incógnita.

Muitas empresas podem insistir na colocação da oferta para não perder a janela de oportunidade de se expandir antes que as campanhas eleitoras para 2018 a fechem.
Outras podem recuar na intenção de fazer a oferta pública, o que as obrigará a buscar outras formas de se financiar.

No Brasil, nenhum IPO deste ano atingiu o teto da faixa indicativa. Alguns saíram, inclusive, abaixo do piso da faixa, enquanto companhias como Unidas e Tivit decidiram adiar a oferta. A abertura do capital da BR Distribuidora, unidade da Petrobras, pode ficar para 2018 se faltarem condições de mercado, disse o presidente da Petrobras, Pedro Parente, em 2 de outubro.

"Por enquanto, os candidatos tidos como 'pró-mercado' estão mal nas pesquisas de opinião. Caso isso não se altere ao longo dos próximos meses, cresce a probabilidade de termos mais dificuldades em passar as reformas estruturais que precisamos no Brasil e isso pode deixar os mercados mais voláteis e com viés negativo. Acredito que este cenário seria ruim para as empresas que pretendem fazer IPO", disse Hersz Ferman, economista da Elite Corretora.

"Já uma eleição em que os principais candidatos estivessem comprometidos com as reformas econômicas traria um melhor ambiente de negócios para o país, o que facilitaria novos IPOs nos próximos anos", disse ele.

A situação não é muito diferente no México, que também terá eleições presidenciais em 2018. Sigma Alimentos e Grupo Financiero Mifel, por exemplo, adiaram a abertura de capital citando condições não favoráveis de mercado.

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