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O passado violento do encarregado dos títulos da Venezuela

Patricia Laya e Andrew Rosati

(Bloomberg) -- O vice-presidente da Venezuela, Tareck El Aissami, convocou detentores de títulos para uma reunião em Caracas para discutir a reestruturação da dívida do país. Alguns acham que podem parar atrás das grades se comparecerem ao encontro.

El Aissami foi punido pelo Departamento do Tesouro americano neste ano, acusado de participar de uma rede de tráfico de cocaína. Ele é um dos principais operadores políticos da Venezuela, frequentemente encarregado de transmitir as mensagens mais duras do presidente Nicolás Maduro. Ele ataca críticos em público, expõe supostas conspirações e ameaça tomar providências legais contra dissidentes como o presidente da Assembleia Nacional, Julio Borges, e a promotora Luisa Ortega.

Agora ele é responsável por uma delicada dança financeira, na qual investidores e fundos correm o risco de violar regras da Agência de Controle de Ativos Estrangeiros do governo americano (OFAC). As sanções dos EUA proíbem americanos de receber os novos títulos que a Venezuela entregaria a eles como parte da reestruturação. Além disso, El Aissami foi classificado como narcotraficante. Americanos que negociam com ele podem ser multados em até US$ 5 milhões e pegar até 30 anos de prisão.

"Ninguém vai querer chegar perto do que pode ser uma violação da OFAC", disse Robert Koenigsberger, diretor de investimentos da Gramercy Funds Management, que se livrou das dívidas venezuelanas que detinha um ano atrás. "Se os venezuelanos me chamassem para conversar sobre a reestruturação, eu não permitiria que entrassem no prédio. Eu gosto de dormir na minha própria cama."

Braço direito

Maduro, o sucessor escolhido pelo falecido Hugo Chávez, se recusava a suspender os pagamentos da dívida mesmo após o colapso do preço do petróleo (principal produto da Venezuela) há três anos e da desintegração da economia por causa dos rígidos controles do Estado. Os pagamentos dos títulos eram feitos a investidores de Wall Street mesmo enquanto a população local passa fome. Os papéis eram um dos mais lucrativos dos mercados emergentes. Agora, até Maduro afirma que o endividamento é insustentável e os credores precisarão negociar com uma pessoa difícil.

El Aissami estava sentado ao lado de Maduro no pronunciamento em cadeia nacional da semana passada, quando o presidente disse que o pagamento de US$ 1,1 bilhão em principal de títulos emitidos pela estatal petrolífera PDVSA, que vencia na quinta-feira, seria o último antes de o país iniciar negociações com credores.

"Vamos fazer uma reunião de renegociação da nossa dívida soberana, um refinanciamento que abrirá nossos horizontes para continuarmos investindo em nosso modelo social, para continuarmos garantindo a proteção de salários, trabalho e remédios do povo", disse El Aissami. Nas palavras dele, foi uma "decisão histórica e soberana".

Casado e pai de dois filhos pequenos, El Aissami é alto e magro. Ele costuma andar com escolta própria. Entre as acusações por trás das sanções anunciadas em fevereiro, o Tesouro americano afirma que ele tinha controle de aviões que retiraram mais de uma tonelada de cocaína da Venezuela e que coordenava o envio de drogas com o cartel mexicano Zetas.

O gabinete da Vice-Presidência não retornou ligações da reportagem solicitando comentário. El Aissami, 42 anos, nega qualquer ligação com drogas, afirmando que as acusações são calúnias e disse que se entregaria às autoridades se provarem seu envolvimento.

--Com a colaboração de Ben Bartenstein Daniela Guzman Katia Porzecanski e Fabiola Zerpa

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