De olho na Ásia, líder em alimentos na Argentina busca parceiro

Pablo Gonzalez e Carolina Millan

(Bloomberg) -- A maior fabricante mundial de balas e pirulitos procura um parceiro estratégico para se expandir fora da América Latina.

O conglomerado argentino Arcor SAIC, de capital fechado, está disposto a fazer uma troca de participações com um parceiro para ter mais acesso a mercados no exterior, especialmente na Ásia, disse Luís Pagani, presidente do conselho e integrante da família proprietária do negócio. Embora as negociações ainda não tenham começado, a Arcor pode interessar outras fabricantes globais de guloseimas que valorizam a estrutura de controle familiar.

"Todo mundo se conhece", disse Pagani, 60 anos, em entrevista realizada em seu escritório em Buenos Aires. "Conheço todos os proprietários e eles sabem da importância da Arcor na América. As oportunidades virão à tona."

A Arcor deve abrir o capital em algum momento e a Argentina se tornou a menina dos olhos de investidores em mercados emergentes, que querem ganhar com as medidas favoráveis ao empresariado do presidente Mauricio Macri. No entanto, Pagani diz que não sofre pressão para colocar ações no mercado agora. Empresas argentinas planejam ofertas de ações com valor equivalente a US$ 2,6 bilhões, que se somariam aos US$ 15,7 bilhões em ações e dívidas já emitidas desde que Macri assumiu o cargo, em dezembro de 2015.

"Nunca faríamos um IPO oportunista", disse Pagani, referindo-se à sigla em inglês para oferta inicial de ações. "Só faríamos com um olhar no futuro, como forma de expandir para mercados fora da América Latina, mais provavelmente a Ásia, onde vive metade da população mundial."

Segundo Pagani, a fabricante dos bombons Bon o Bon, dos chocolates Aguila e das geleias La Campagnola deve terminar o ano com receita de US$ 3,1 bilhões e lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) de US$ 300 milhões, consolidando sua posição como maior produtora de alimentos do país.

A Arcor tem 51 por cento da fabricante de biscoitos Bagley, de Buenos Aires, e a Danone é dona do restante. A empresa argentina tem aliança estratégica com a fabricante de pães e bolos Bimbo no México e uma aliança de marca com a Coca-Cola no Peru.

A companhia pretende realizar aquisições na América Latina e está focada em empresas de consumo, agronegócio e embalagens no México e no Brasil. No caso brasileiro, Pagani aguarda um parecer do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que pode obrigar a Nestlé a se livrar de alguns negócios. No México, o setor de consumo é atraente porque o mercado é bastante segmentado e os mexicanos são ávidos consumidores de açúcar.

A Arcor já tem canaviais para fornecimento de matéria-prima e também está testando outros empreendimentos agrícolas. A empresa fez uma parceria estratégica com a maior produtora de laticínios da Argentina, a Mastellone, em 2015 e tem opção de se tornar acionista majoritária até 2021 ou antes se pagar prêmio a detentores dos títulos de dívida da Mastellone.

Pagani afirma que a associação abriu as portas para a exportação de produtos à base de leite para a África, o Oriente Médio e a Ásia, onde estão chegando produtos rivais da Nova Zelândia.

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