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Maior rendimento pode acabar com rali de óleo de palma

Anuradha Raghu e Yoga Rusmana

(Bloomberg) -- O recente rali do óleo de palma pode perder força no ano que vem por causa das apostas em um aumento da produção, em um momento em que o mercado avalia os possíveis impactos do La Niña.

Os contratos futuros de óleo de palma na Malásia poderiam atingir uma média de 2.700 ringgits (US$ 638) por tonelada no primeiro trimestre, segundo a mediana de estimativas em uma pesquisa com oito produtores, executivos de empresas, traders e analistas consultados na semana passada durante uma conferência na Indonésia. As projeções oscilaram entre 2.600 ringgits e 2.950 ringgits. Os números se comparam com a projeção de 2.788 ringgits por tonelada para este trimestre, segundo a pesquisa.

"O mercado deve observar o crescimento da produção", disse Oscar Tjakra, analista sênior da RaboResearch Food & Agribusiness. "Embora seja um período de produção baixa sazonalmente, a produção no primeiro trimestre do ano que vem não será tão baixa quanto a de 2017. Isso limitará o aumento potencial dos preços. Eu não vejo um grande rali no primeiro trimestre."

Os preços subiram 13 por cento no segundo semestre do ano porque uma recuperação da produção que se previa ficou abaixo das expectativas e a escassez de trabalhadores na Malásia reduziu a colheita no segundo maior produtor mundial. Embora a produção tenha sido decepcionante, a entrega da Malásia e da Indonésia provavelmente aumentará nos primeiros três meses de 2018 e acelerará no restante do ano, segundo James Fry, presidente da LMC International.

La Niña

O mercado também estará atento ao desenvolvimento esperado do La Niña, que pode provocar um clima mais úmido que o normal na Malásia e na Indonésia e prejudicar a soja nas Américas. Um La Niña forte e a escassez de mão de obra poderiam fazer os preços dispararem até 3.500 ringgits, projetou no mês passado o MIDF Amanah Investment Bank.

"O mercado espera o La Niña com receio e as pessoas ainda não têm certeza da intensidade do fenômeno", disse Chandran Sinnasamy, corretor de futuros que opera com derivativos na CIMB Futures. "O clima pode fazer com que os preços atinjam 2.950 ringgits. Se não houver problemas meteorológicos, os preços cairão para 2.600 ringgits pelo menos", disse ele em entrevista de Bali na semana passada.

Contudo, outros projetam que a sequência otimista do óleo de palma possa começar a desaparecer antes de o ano acabar. Os preços poderiam sofrer uma correção para baixo nas próximas quatro a oito semanas, mas não ficarão abaixo de 2.650 ringgits, segundo Thomas Mielke, diretor executivo da Oil World.

"A menos que uma demanda mais firme compense a maior produção de óleo de palma nas origens ou sejam observadas perturbações meteorológicas mais fortes nas próximas quatro semanas, será muito necessária uma reversão dos preços no curto prazo", disse Marcello Cultrera, gerente de vendas internacionais da Okachi Malaysia em Kuala Lumpur.

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