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Argentina depende do mercado de dívida para reformas, diz Macri

Charlie Devereux e Andres R. Martinez

(Bloomberg) -- Os ambiciosos planos de reforma da Argentina serão vulneráveis aos mercados globais de dívida nos próximos anos, disse o presidente Maurício Macri, que deu o indício mais claro até agora de que ele irá tentar um segundo mandato para concluí-los.

Em entrevista à Bloomberg News na terça-feira, Macri disse que levará tempo reduzir a inflação de dois dígitos e diminuir os custos de mão de obra que mantêm afastados os investidores da economia real. Ao mesmo tempo, ele deve tomar empréstimos para preencher déficits herdados. Em 6 de novembro, a S&P Global Investors incluiu a Argentina em uma lista dos cinco países mais frágeis caso as condições financeiras se deteriorassem. A lista também incluía Turquia, Paquistão, Egito e Catar.

Macri reconheceu a posição precária do país. "Somos vulneráveis porque precisamos de financiamento, afirmar o contrário seria tolice", disse Macri. Contudo, "temos o maior potencial em comparação com todos os outros. Estou pronto para seguir adiante se os cidadãos indicarem que querem que eu siga administrando o país".

Macri, 58, estava em Nova York para falar com investidores antes de começar a segunda onda de reformas, depois que Cambiemos, sua aliança de centro-direita, recebeu apoio claro na eleição legislativa do mês passado. Ele disse que as possibilidades da Argentina são maiores que seus riscos e mencionou planos para dobrar a produção de alimentos nos próximos quatro anos e o potencial de produção de energia renovável e gás de xisto.

Emissão

A Argentina emitirá cerca de US$ 30 bilhões em dívida líquida no ano que vem, com o objetivo de vender cerca de metade no mercado internacional e o restante localmente, disse o ministro de Finanças, Luis Caputo, que acompanhava o presidente. Somente cerca de 20 por cento da dívida da Argentina é denominada em pesos, segundo dados compilados pela Bloomberg - fato que deixa o país à mercê da volatilidade nos mercados cambiais globais.

Macri disse que estima que a inflação baixe a 15 por cento para o final de 2018, acima da faixa de 8 por cento a 12 por cento almejada pelo banco central. Ele disse que projeta que as negociações de aumentos salariais com os sindicatos para o ano que vem terminem "um pouco abaixo" de 15 por cento.

Na semana passada, funcionários argentinos viajaram a Washington para negociar com o Departamento de Comércio dos EUA depois que esse país afirmou que imporia tarifas de 70 por cento às importações de biodiesel da Argentina pelo valor de US$ 1,2 bilhão. A Argentina estaria disposta a aplicar um imposto à exportação de 15 por cento e talvez aceite também uma cota para satisfazer produtores americanos que apresentaram uma queixa por dumping, disse Macri.

Exportações continuam sendo uma fonte de frustração para o presidente. Macri disse que o Mercosul, bloco comercial que inclui o Brasil, o Paraguai e o Uruguai, provavelmente assine um acordo de livre comércio com a União Europeia até o fim do ano. Mas ele disse que a Argentina está frustrada pela falta de avanços no Mercosul para fechar esse tipo de acordos.

"Não estamos contentes mesmo", disse Macri. "Temos que ser mais dinâmicos com o Mercosul, dentro dele e com os outros blocos."

--Com a colaboração de Jose Enrique Arrioja

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