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Por que o frango dos EUA ainda chega ao México, com ou sem Nafta

Megan Durisin

(Bloomberg) -- O frango dos EUA continuará chegando ao México, mesmo que o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta) seja reformulado.

Essa é a visão de Bill Lovette, CEO da Pilgrim's Pride, segunda maior processadora de frangos dos EUA. Ambos os países são interdependentes no que diz respeito ao setor aviário porque o México é o maior mercado para os exportadores dos EUA. Ao mesmo tempo, o país latino-americano está "muito consciente da inflação alimentar" e não quer que os cidadãos vejam os custos dispararem, disse ele em entrevista.

"México e EUA estão tão inextricavelmente ligados que não acredito que haja um impacto significativo, especialmente para o frango", disse Lovette. "Encontraremos uma forma de continuar enviando frango pela fronteira."

Os comentários surgem antes da quinta rodada de negociações do Nafta entre autoridades dos EUA, México e Canadá. As conversas, na Cidade do México, começaram em 15 de novembro. Os EUA ameaçaram retirar-se do acordo e a última rodada de negociações em Washington se tornou contenciosa porque as autoridades dos EUA fizeram exigências controversas em relação a itens como lácteos e conteúdo automotivo.

Exportações agrícolas

As empresas agrícolas têm pressionado a Casa Branca a preservar o acordo. O México também está entre os maiores consumidores estrangeiros de carne de porco, milho e trigo dos EUA e as exportações são vitais para compensar os superávits domésticos recentes. As vendas de frangos dos EUA ao vizinho do sul caíram neste ano, em parte devido à força do dólar em relação ao peso, disse Lovette. Até setembro, as exportações tiveram declínio de 9,2 por cento em 2017 em relação ao mesmo período do ano anterior, mostram dados do Departamento de Agricultura dos EUA.

As ações da Pilgrim's chegaram a subir 9,6 por cento em Nova York na quarta-feira, atingindo o maior valor desde janeiro de 2015, depois que a empresa anunciou um lucro ajustado por ação para o terceiro trimestre que superou as estimativas de todos os analistas compiladas pela Bloomberg. As vendas líquidas da empresa subiram 37 por cento no trimestre em relação a 2016.

A processadora com sede em Greeley, Colorado, nos EUA, mantém operações no México, o que pode ajudar a compensar o impacto de alguma mudança na política comercial. A unidade teve desempenho melhor do que o esperado no terceiro trimestre e a demanda do México deverá crescer porque os consumidores com rendas maiores consomem mais proteína, informou a empresa na quarta-feira em conferência de resultados.

Lovette também disse não esperar que as exportações dos EUA recuperem o acesso à China em um futuro próximo. O país proibiu a importação de aves dos EUA no início de 2015 após um surto doméstico de gripe aviária. O presidente dos EUA, Donald Trump, está visitando o país asiático nesta semana e na quarta-feira o mercado on-line chinês JD.com se comprometeu a comprar US$ 2 bilhões em produtos dos EUA, sendo mais da metade referente a carnes bovina e suína.

--Com a colaboração de Shruti Date Singh

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