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Porão da Christie's guarda US$ 200 milhões em obras de arte

James Tarmy

(Bloomberg) -- Por um ou dois dias nos meses de novembro algumas das obras de arte mais valiosas do mundo ficam empilhadas e escondidas nas entranhas da casa de leilões Christie's, no Rockefeller Center, em Nova York.

A temporada de leilões da cidade começa na semana que vem, quando Christie's, Sotheby's e Phillips venderão (ou tentarão vender) mais de US$ 1,5 bilhão em obras de arte em cinco dias.

Os quadros no porão da Christie's foram enviados por colecionadores do mundo inteiro, geralmente alguns dias antes das exibições formais.

Mesmo enquanto Alexander Rotter, corresponsável pelo departamento Pós-Guerra e Contemporâneo da Christie's, passeava pelo estoque (com ar controlado e acesso por um elevador que só funciona com chave digital), lá em cima, na galeria aberta ao público, boa parte da coleção Eppler -- um sortido de telas modernistas pintadas por nomes como Alexander Calder, Franz Kline e Willem de Kooning, somando US$ 60 milhões -- já estava à mostra.

A maioria das obras -- tanto as exibidas quanto as guardadas -- será oferecida no evento da Christie's dedicado à arte do período pós-guerra e contemporâneo. A expectativa é que o evento gere US$ 479 milhões. "O mercado está atipicamente forte", disse Marc Porter, presidente da Christie's, em um encontro na quarta-feira do qual a Bloomberg Media Group foi uma das patrocinadoras. "O movimento é impulsionado por espólios que chegaram ao mercado e algumas vendas discricionárias."

Dentro do porão

Muitas das obras guardadas no porão de aproximadamente 45 metros quadrados estavam penduradas em araras móveis. Outras, incluindo uma pintura de Mark Rothko de 1957, estavam em suportes com rodinhas.

Profissionais especializados em manusear obras de arte entravam e saíam apressadamente, levando as pinturas para salas fechadas para apreciação por clientes especialmente importantes. Algumas das obras-primas do evento ainda não tinham chegado (por exemplo, o quadro de Leonardo da Vinci, avaliado em US$ 100 milhões, ainda estava a caminho, vindo de Londres). Mesmo assim, os trabalhos nas araras somavam centenas de milhões de dólares.

De uma das delas saiu uma pintura de Twombly com valor estimado em US$ 20 milhões. Em outra estava pendurada uma tela do artista contemporâneo Kerry James Marshall -- que atraiu multidões por meses para sua aclamada exibição no Met Breuer, um braço do museu Metropolitan, em Nova York. A estimativa é que a pintura seja vendida por US$ 1 milhão a US$ 1,5 milhão -- um trocado perto das outras do leilão.

Também estavam guardadas no porão uma pintura de Philip Guston (que deve sair por US$ 5 milhões a US$ 7 milhões), um trabalho de Jean-Michel Basquiat de 1982 (US$ 25 milhões a US$ 35 milhões, sendo que uma única obra do artista foi vendida recentemente por mais de US$ 100 milhões) e um quadro de John Currin (artista representado pela poderosa galeria Gagosian, que pretende emplacar uma venda de US$ 6 milhões a US$ 7 milhões).

Desde 2015, o mercado de leilões tem estado relativamente tímido, especialmente para as obras mais caras, por isso a quantidade extraordinária de telas avaliadas em mais de US$ 20 milhões no próximo leilão da Christie's representa uma virada para a casa.

"Dá para fazer uma leitura geral do mercado de arte" a partir desse evento, disse Rotter. "Depois que tivermos os resultados."

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