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Enel vai a leilão de energia no México, após levantar US$1,35 bi

Vanessa Dezem e Chiara Albanese

(Bloomberg) -- A Enel Green Power, unidade de renováveis da maior empresa de energia da Europa, planeja apresentar oferta no leilão de eletricidade do México neste mês, após embolsar US$ 1,35 bilhão com um acordo de venda de participações em oito projetos eólicos e solares no país, em outubro.

"Participaremos, com certeza", disse o CEO Antonio Cammisecra, em entrevista por telefone. "O México é um mercado central para nós, e o acordo de venda não significa deixar o país."

As ações fazem parte da estratégia que a Enel chama de "construir, vender e operar". O desenvolvimento e a posterior venda de ativos gerará capital para investir em novos ativos e a empresa continua gerando receita administrando usinas de energia depois de concluídas, disse Cammisecra.

Essa estratégia foi aplicada em outubro, quando a Enel, maior dona de ativos de energias renováveis do México, fechou acordo para a venda de 80 por cento de seu capital em ações em 1,7 gigawatt em plantas de energias renováveis para a investidora institucional canadense Caisse de dépôt et Placement du Québec e para o veículo de investimento do fundo de pensão mexicano CKD Infraestructura México. O acordo reduzirá a dívida líquida consolidada da Enel em cerca de US$ 1,9 bilhão e ajudará a empresa a se expandir no país.

Após esse acordo, a Enel manterá o controle de cerca de 300 megawatts em capacidade instalada no México. Cammisecra disse que busca aplicar a mesma estratégia a outros países, como Chile, Brasil e Canadá.

Transição energética

O mercado mexicano de energias renováveis ganhou impulso após a aprovação de uma reforma histórica em 2013 para abrir monopólios estatais nos setores de petróleo e eletricidade. O país atraiu a maior quantidade de novos investimentos em energia limpa da América Latina no primeiro semestre de 2017, com US$ 3,7 bilhões, superando o Brasil pela primeira vez, segundo relatório da Bloomberg New Energy Finance.

O governo do México está trabalhando para mudar sua matriz energética, baseada no petróleo; tem a meta de obter 35 por cento da energia de fontes limpas em 2024, contra 25 por cento atualmente. O país também estabeleceu metas para energia limpa para grandes usuários, que terão que receber 7,4 por cento de sua eletricidade de fontes renováveis até 2020.

Os leilões de energia são ferramentas importantes para ajudar o país a atingir suas metas. No próximo, a estatal Comisión Federal de Electricidade, ou CFE, pretende contratar 5,5 terawatts-hora de energia e 5,5 milhões de certificados de energia limpa. Será o primeiro evento a permitir a participação de empresas privadas como compradoras de energia juntamente com a CFE. As empresas produtoras de energia precisarão apresentar as ofertas finais nesta segunda-feira e o governo anunciará os resultados em 22 de novembro.

A Enel foi a maior vencedora de um leilão similar no Chile, neste mês, e assegurou o direito de entrega de 242 megawatts em capacidade, mais da metade de toda a energia vendida. A empresa apresentou ofertas por contratos para a venda de 116 megawatts de energia solar, 93 megawatts de energia eólica e 33 megawatts de projetos geotérmicos.

A Enel é a maior produtora de energia eólica e solar da América Latina, seguida da State Grid Corporation of China e da brasileira Eletrobras, segundo a Bloomberg New Energy Finance.

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