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Mulheres pioneiras são expulsas do mercado da maconha nos EUA

Jordyn Holman e Jennifer Kaplan

(Bloomberg) -- No negócio da maconha medicinal dos EUA, existem variedades para praticamente todos os males. As mulheres empreendedoras, contudo, ainda não encontraram nenhuma erva capaz de combater um efeito colateral doloroso da crescente indústria da maconha legal: o sexismo.

"Está entrando mais dinheiro no negócio, e com ele vêm todas as armadilhas e todos os desafios para as mulheres", disse Shanel Lindsay, fundadora da fabricante de aparelhos para maconha medicinal Ardent, em Boston.

Na indústria da maconha, a participação das startups de propriedade de mulheres está diminuindo apesar de as mulheres empreendedoras prosperarem em pequenos negócios, de forma geral. Há dois anos, as mulheres representavam 36 por cento dos executivos de empresas relacionadas à cannabis, perto da média das pequenas empresas como um todo. Neste ano, a porcentagem de mulheres empreendedoras permaneceu inalterada, mas as executivas mulheres caíram para 27 por cento na indústria da maconha, segundo pesquisa da Marijuana Business Daily.

Não se sabe ao certo por que as mulheres ocupam uma proporção cada vez menor dos cargos de liderança no campo da cannabis. Sai caro conseguir licença para cultivar, fabricar ou vender produtos de maconha em muitos estados americanos nos quais a erva está legalizada. Também é difícil, mas não impossível, conseguir serviços bancários tradicionais ou financiamento para qualquer coisa que toque a planta, porque ela ainda é ilegal na esfera federal. Esses fatores favorecem empreendedores com mais dinheiro para começar, e estes muitas vezes são homens.

O crescente interesse dos investidores endinheirados do Vale do Silício e de Wall Street também pode gerar uma vantagem para os homens. Pesquisas acadêmicas sugerem que os investidores preferem negócios apresentados por empreendedores homens na comparação com aqueles apresentados por mulheres, mesmo quando o discurso de venda é o mesmo. As startups gerenciadas por mulheres normalmente são questionadas a respeito de possíveis prejuízos, enquanto aquelas administradas por homens são indagadas a respeito de possíveis ganhos, segundo um estudo publicado no início do ano na Harvard Business Review.

Krista Whitley criou uma empresa de marketing especializada em empresas e produtos de cannabis em 2015 com um investidor. A empresa, Altitude Products, se expandiu desde então para outras linhas de negócios relacionadas com a maconha, e em janeiro ela tentou levantar mais capital. O processo, disse, foi caracterizado por uma "misoginia surpreendente".

"Um investidor em particular me disse que achava fofo que eu quisesse ganhar dinheiro", disse ela. "Homens não escutam isso em meio a seus discursos de venda para arrecadação de recursos."

Whitley acabou encontrando outro investidor posteriormente. No ano passado, a empresa dela tinha receita de US$ 1 milhão. Neste ano, espera atingir US$ 10 milhões.

Em Boston, Lindsay criou a Ardent com US$ 500.000 de sua mãe e com outro investidor. Ela disse que viu oportunidades de investimento irem para empresários homens cujas empresas geravam menos receitas que a dela.

"Os números não mentem", disse ela. "É mais difícil para as mulheres conseguir dinheiro, e, quando conseguimos, recebemos menos."

Para muitas mulheres empreendedores, no entanto, ainda há motivos para ser otimista.

"A indústria da cannabis é realmente nova", disse Nancy Whiteman. Antes de fundar a Wana Brands, uma empresa de comestíveis de maconha com sede em Colorado, ela trabalhou nos setores de serviços financeiros, tecnologia e mídia, nas quais sentia muito mais dominadas pelos homens. No ramo da maconha, disse, "não há 100 ou 200 anos de história que precisam ser quebrados".

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