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Para ex-executivo da InBev, maconha é a nova cerveja artesanal

Jennifer Kaplan

(Bloomberg) -- Chris Burggraeve, ex-diretor de marketing da Anheuser-Busch InBev, deixou de se ocupar com lúpulo e cevada e agora se concentra em maconha. O pessoal do setor de bebidas alcoólicas está de olho no promissor mercado de cannabis legalizada.

Burggraeve, 52 anos, fez dois investimentos no ramo. Ele integra o conselho da GreenRush Group, startup de São Francisco que pretende ser a Amazon da erva e fechou uma rodada de captação de US$ 3,6 milhões na semana passada. Burggraeve, mestre em Economia nascido na Bélgica, também foi cofundador da Toast, que vende cigarros de maconha já enrolados.

O executivo é um dos muitos empreendedores e investidores vindos do mundo tradicional dos negócios para o mercado de maconha. O setor cervejeiro deu seu primeiro grande passo no mês passado, quando a Constellation Brands, que vende a marca Corona nos EUA, anunciou um investimento na canadense Canopy Growth, que vende produtos à base de maconha medicinal. Na opinião de Burggraeve, este é apenas o começo.

"É uma das categorias que mais cresce globalmente", ele disse. "Por que? Porque as pessoas querem. Quando os consumidores querem algo, ignore por sua própria conta e risco."

Segundo pesquisa da Gallup divulgada no mês passado, 64 por cento da população dos EUA quer acabar com a proibição do governo federal à maconha. É a maior parcela desde que a empresa começou a sondagem sobre o assunto, em 1969, ano do lendário festival de música de Woodstock. Na época, só 12 por cento tinham essa posição.

Após sair do marketing corporativo há cinco anos, Burggraeve passou a trabalhar com ensino, consultoria e investimento no que ele considera categorias de ruptura.

Para ele, a maconha pode abalar as grandes cervejarias da mesma forma que as cervejarias pequenas e independentes têm feito há 20 anos.

"Da mesma forma que a cerveja artesanal começou, por muito tempo foi ignorada e então disparou, não há razão para a mesma coisa não acontecer nesse ramo", ele disse. "Será parte suplementando e parte complementando. Não se sabe como e onde isso vai acontecer."

A GreenRush opera uma plataforma tecnológica que conecta consumidores, distribuidores e entregadores que levam maconha até a casa das pessoas. A empresa, que já atua na Califórnia e em Nevada, planeja se expandir para outros Estados americanos, incluindo Nova York e Massachusetts.

Negócio arriscado

A ideia é construir o negócio antes que a maconha seja legalizada pela legislação federal. Grandes empresas, como a Amazon.com, mantêm distância do negócio por causa da proibição federal.

Nos EUA, é legal consumir maconha com fins recreativos em oito Estados, além do Distrito de Colúmbia (onde fica a capital, Washington). Isso significa que um em cada cinco adultos nos EUA pode usar a droga como quiser.

Além disso, 21 outros Estados permitem uso medicinal da planta. O setor faturou US$ 6 bilhões em 2016 e a Cowen estima que as vendas chegarão a US$ 50 bilhões até 2026.

Ainda assim, investir em maconha implica riscos. O governo do presidente Donald Trump deu sinais mistos, embora o procurador-geral Jeff Sessions seja veementemente contra a legalização. Instituições bancárias tradicionais também mantêm distância, de modo que a maioria das transações precisa ser feita em dinheiro.

A Constellation talvez tenha quebrado o tabu. Para Burggraeve, as companhias podem achar que vale a pena correr o risco. Se isso não acontecer, fabricantes de bebidas alcoólicas podem ficar para trás.

"Tudo isso vai se fundir, se fertilizar mutuamente e se juntar - não porque as empresas querem, mas porque os consumidores querem", prevê Burggraeve.

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