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China pode ensinar à Índia como limpar seu ar tóxico

Anindya Upadhyay e Jessica Shankleman

(Bloomberg) -- Enquanto Nova Déli sofre com o aumento do tipo de smog mais nocivo -- um vapor tóxico que faz da capital da Índia uma das mais contaminadas do mundo --, Pequim dá aulas sobre como outra cidade problemática conseguiu avanços em termos de limpeza do ar.

A China, há mais de uma década a maior emissora de dióxido de carbono do mundo, transformou sua capital em ponto central de uma iniciativa de limpeza. Está substituindo algumas instalações baseadas na queima de carvão por combustíveis mais limpos, estimulando a adoção de veículos elétricos e ameaçando poluidores com penalidades severas. Enquanto isso, na Índia, autoridades do governo colocam em dúvida a gravidade da poluição do ar apontada por pesquisadores. O Ministro do Meio Ambiente, por exemplo, disse a um programa de notícias local nesta semana que "nenhum atestado de óbito tem a poluição como causa da morte".

As filosofias divergentes aparecem com clareza nos números. As concentrações de PM2,5 -- minúsculas partículas ligadas por pesquisadores a doenças respiratórias -- aumentaram nos últimos anos na Índia. Elas se estabilizaram em níveis muito mais baixos na China, cujo governo prometeu reduzir o poluente em mais de 15 por cento até março de 2018 na capital e nos arredores. Os níveis de Pequim continuam muito acima das diretrizes internacionais, mas, ao contrário da Índia, a cidade deteve o aumento.

Na Índia, o governo proibiu a queima de plantações após as colheitas em quatro estados onde a prática é um dos principais fatores causadores da névoa. A proibição não foi aplicada de forma ampla. Os órgãos reguladores estabeleceram prazo final até o mês que vem para reformulação das usinas de energia com depuradores de enxofre. O setor energético basicamente ignorou a ordem.

Algumas das consequências: as autoridades avaliam se devem impor novamente restrições à circulação de carros em dias pares e ímpares com base nos números das placas. Além disso, determinou-se o fechamento de escolas e fábricas de Déli e alguns trabalhos de construção foram suspensos.

Na conferência da Organização das Nações Unidas sobre o clima, nesta semana, em Bonn, um dos principais membros da delegação indiana atribuiu o ar tóxico atual que envolve a parte norte do país às condições climáticas e a partículas derivadas de outras regiões.

"Não se trata apenas da queima de plantações, mas também de uma poluição que vem de mais longe ainda", disse Arun Kumar Mehta, secretário adjunto do Ministério do Meio Ambiente, da Floresta e da Mudança Climática, em entrevista. Ele preferiu não identificar a fonte da fumaça, afirmando apenas que ela "viaja grandes distâncias".

Existe um "plano concreto" para enfrentar a ameaça da poluição, disse Mehta, sem fornecer detalhes.

Na quarta-feira, foi anunciada a disponibilização de um combustível de alta qualidade conhecido como BS VI para venda em abril do ano que vem. A previsão anterior era para dois anos mais tarde. As empresas de refino de petróleo estão investindo em atualizações para produzir este combustível, informou o Ministério do Petróleo e do Gás Natural em comunicado.

--Com a colaboração de Feifei Shen e Upmanyu Trivedi

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