Empoderamento econômico da mulher estimula crescimento, diz Citi

Jill Ward

(Bloomberg) -- A redução da desigualdade de gênero poderia ampliar significativamente o crescimento das economias avançadas nas próximas décadas, segundo o Citigroup.

O combate aos fatores que excluem as mulheres do trabalho teria mais sucesso que as reformas estruturais atualmente propostas nos EUA e na Europa, disseram pesquisadores do Citi, incluindo a analista-chefe de política global do banco, Tina Fordham, e o chefe de economia global, Ebrahim Rahbari, em relatório de 84 páginas publicado na quinta-feira (16).

Entre esses fatores estão a carga do trabalho de cuidado não remunerado, da discriminação e da violência de gênero, a falta de proteção legal e o acesso reduzido a serviços financeiros, disseram. A eliminação dessas barreiras poderia ampliar o crescimento dos países da OCDE entre 6% e 20%, estimaram.

"Há um enorme espaço para crescer -- 6% é a quanto chegamos nas economias avançadas, nos países emergentes o número é ainda maior. Então por que não buscamos isso?", disse Fordham, em entrevista a Mark Barton, na Bloomberg Television. As propostas do relatório contribuiriam "significativamente mais do que as políticas monetárias e fiscais que estão em discussão."

Participação feminina é menor

As taxas de participação feminina muitas vezes são significativamente inferiores às de participação masculina, inclusive nas economias avançadas. A proporção média de mulheres que trabalhavam ou procuravam trabalho ativamente em países da OCDE era de 64% no ano passado, contra uma participação masculina de 80%.

Essa diferença é particularmente grande na Itália e no Japão. A diferença é de mais de 10 pontos porcentuais nos EUA e no Reino Unido e apenas um pouco menor na França e na Alemanha.

As políticas que reduzem a desigualdade de gênero são vitais, tendo em vista as perspectivas de crescimento relativamente lentas nas economias avançadas e o potencial mais limitado de outras reformas, afirma o relatório.

Crescimento de 6% em 10 anos

A Comissão Europeia estima que, se todas as reformas estruturais possíveis -- incluindo as fiscais, de seguro-desemprego, de mercados de produtos, de capital humano e de investimentos em pesquisa e desenvolvimento -- fossem implementadas, elas poderiam ampliar o crescimento da UE em cerca de 6% ao longo de 10 anos. O estímulo fiscal do presidente dos EUA, Donald Trump, poderia aumentar o PIB dos EUA em 1% a 1,5% no período 2018-2021.

"Eu sugeriria que o governo Trump desse uma olhada nesse relatório", disse Fordham à Bloomberg TV. "Muitas das formas de remover barreiras às mulheres são bastante fáceis de implementar -- e isso pode ser visto na comparação que fizemos entre EUA e Canadá."

No Canadá, a participação feminina na força de trabalho vem aumentando gradualmente desde 1990, ajudada por reformas tributárias, apoio familiar e equalização do salário e da renda, segundo o relatório. O setor público transformou a diversidade de gênero em objetivo, e empresas e instituições privadas começaram a coletar dados para monitorar e reduzir discrepâncias salariais.

Apesar disso, Canadá e EUA mantêm diferenças salariais entre gêneros superiores à média da OCDE.

--Com a colaboração de Mark Barton

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