Ruim para países ricos, bom para quem investe em emergentes

Lilian Karunungan

(Bloomberg) -- O que é ruim para o mundo desenvolvido pode ser bom para quem investe em mercados emergentes.

O avanço das bolsas de países em desenvolvimento continuará em 2018, enquanto a expansão das economias avançadas será contida, limitando os acréscimos nos juros. É esta a avaliação de Gary Greenberg, responsável por mercados emergentes na Hermes Investment Management, em Londres. Segundo ele, a classe de ativos está com "valor justo" e o retorno sobre o patrimônio do MSCI Emerging Markets Index pode passar de 12 por cento no ano que vem, comparado a 11,4 por cento neste ano.

"Meu sono é tranquilo porque não acho que o potencial de crescimento do mundo ocidental seja muito forte", disse Greenberg em entrevista realizada em Cingapura. "Vivemos em um mundo de ativos sobrevalorizados devido a anos de estímulos quantitativos, mas as ações de mercados emergentes formam um dos poucos segmentos restantes com valor justo."

Segundo a Hermes, o fundo de ações de países emergentes administrado por Greenberg, com US$ 3 bilhões em ativos, gerou retorno de 42 por cento nos dez primeiros meses do ano, superando o ganho de 32 por cento da referência. Com a valorização do indicador, a razão entre preço e lucro em 12 meses do MSCI Emerging Markets Index subiu de 11,9 no início do ano para 12,8. A mesma razão para o MSCI World Index, que acompanha as bolsas das nações desenvolvidas, é 16,7.

Seguem trechos da entrevista com Greenberg:

Que tipo de impacto você espera das medidas do banco central dos EUA?

* "Se os juros só puderem subir cerca de 1,00 ponto percentual, duvido que seja um grande impedimento ao avanço dos mercados emergentes", ele disse, se referindo à taxa básica de juros definida pelo Federal Reserve.

* As economias avançadas não poderão tomar "um banho frio" na forma de aumento substancial dos juros e, portanto, dificilmente haverá retirada maciça dos estímulos.

Onde estão as melhores oportunidades?

* "Minha dificuldade é saber quais ações vão prosperar em um ambiente de alta dos juros. Sei dos bancos. Por isso estamos comprando papéis do setor."

* Greenberg gosta de companhias industriais que atuam no fim do ciclo, expostas a investimentos produtivos, como Advantech, de Taiwan; Bharat Forge e HCL Technologies, da Índia; e firmas expostas aos investimentos na tecnologia 5G, como a Tech Mahindra.

* A China impressiona o gestor pelo foco em avançar suas tecnologias e se equiparar ao resto do mundo. Segundo ele, o segmento de tecnologia financeira na China está à frente do resto do mundo e ganhando ainda mais liderança.

* Ações dos setores financeiro e de TI representam mais da metade da carteira de mercados emergentes da Hermes.

* Entre as 10 maiores posições dele estão Samsung Electronics, as gigantes chinesas de tecnologia Tencent Holdings e Alibaba Group Holding, a sul-africana Naspers e o Sberbank, da Rússia.

O que você evita ultimamente?

* "Embora esteja ocorrendo essa recuperação cíclica coordenada, não quero investir em economias fracas. Não quero alocação superior na África do Sul nem na Turquia."

* "Estou nervoso em relação ao Brasil e ao México" diante das eleições. Além disso, o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta) "aparentemente voltou a ser um problema para o México".

Quais são seus países preferidos?

* "Não quero investir em economias que sejam mais fortes e menos cíclicas, menos dependentes da importação de capital. Estou mais interessado em economias que proporcionam um bom ambiente para o crescimento de boas empresas."

* A Hermes tem alocação superior em China, Índia, Taiwan e Emirados Árabes Unidos na comparação com o índice de referência; a gestora tem alocação inferior na Coreia do Sul.

* Na América Latina, tem alocação inferior no México e neutra no Brasil. No Leste Europeu, a gestora investe em apenas uma empresa, na Hungria.

--Com a colaboração de Abhishek Vishnoi

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