BHP e Goldman buscam saída energética em meio a bananais

David Stringer

(Bloomberg) -- A maior mineradora do mundo e a empresa de fusões de melhor classificação em Wall Street estão entre os apoiadores mais notórios de um projeto solar instalado em meio a plantações de bananas na região tropical do extremo nordeste da Austrália. Para a BHP Billiton, esta é uma oportunidade de desbloquear uma tecnologia renovável para o setor de mineração internacional.

Enquanto as mineradoras lidam com os custos da energia e procuram limitar as emissões, a BHP, que tem sede em Melbourne, está expandindo seu interesse em energia solar no Chile, nos EUA e na Austrália, o que inclui o projeto Lakeland Solar and Storage, a cerca de 1.900 quilômetros ao norte de Brisbane, a capital do estado de Queensland.

O empreendimento está sendo desenvolvido pela Conergy Asia & ME, que foi comprada em agosto por uma unidade do Goldman Sachs e pela Tennenbaum Capital Partners. O Goldman vem investindo em energias renováveis em toda a Ásia e informou no início do ano que estava a caminho de atingir a meta de organizar US$ 1 bilhão em títulos de energias renováveis no Japão. A firma com sede em Nova York não respondeu a um pedido de comentário.

A Lakeland permitirá experimentos com uso de energia renovável e com armazenamento em baterias em escala de rede em um ambiente remoto -- oferecendo à BHP uma plataforma de testes para as tecnologias em uma região que espelha as localizações distantes de muitas de suas minas. Os resultados serão aplicáveis ao setor de mineração e amplamente compartilhados, segundo a empresa.

"O armazenamento em baterias é uma solução que estamos analisando que pode transformar o acesso do setor de recursos à eletricidade", disse Graham Winkelman, chefe da prática de mudanças climáticas da BHP, por e-mail. "Estamos trabalhando em parceria para acelerar o desenvolvimento de novas tecnologias capazes de reduzir concretamente as emissões, mas que ainda não foram entregues a um custo aceitável."

Os custos de projetos combinados de energia solar e de armazenamento em bateria deverão cair em média 37 por cento até 2030, estimou a Bloomberg New Energy Finance em relatório, no mês passado. As medidas adotadas pelas mineradoras para usar mais energia renovável surgem depois que uma crise energética na Austrália fez os preços pagos pela BHP em seu país de origem praticamente dobrarem em alguns casos nos últimos dois anos.

Uma falha de energia na Austrália Meridional, no ano passado, interrompeu a produção na gigantesca mina de cobre e urânio de Olympic Dam, da BHP, reduzindo os lucros do ano cheio em US$ 105 milhões. A crise energética levou a Tesla, do bilionário Elon Musk, a iniciar neste ano a instalação do maior sistema de baterias de íon de lítio do mundo para respaldar a rede elétrica do estado.

As mineradoras estão acelerando os esforços para avaliar a geração e o armazenamento de energia renovável em uma medida de "autoajuda" em meio aos custos elevados da energia, segundo Sandeep Biswas, CEO da maior produtora de ouro da Austrália, a Newcrest Mining, que enviou equipes a Israel e aos EUA para estudar desenvolvimentos em tecnologia solar. "Cabe a nós buscar essas outras opções existentes", disse ele a jornalistas, em Melbourne, neste mês.

As mineradoras "já não podem ignorar a energia solar", disse Tony Wood, diretor do programa de energia do Grattan Institute, uma think tank com sede em Melbourne. "Algumas delas farão testes, outras tentarão conseguir crédito de responsabilidade social para analisar o assunto, mas o principal motivo é que atualmente faz sentido do ponto de vista comercial."

--Com a colaboração de Perry Williams

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