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Mugabe renunciou para não acabar como Qaddafi, dizem fontes

Bloomberg News

(Bloomberg) -- Comovido, Robert Mugabe finalmente concordou em pôr fim a seu governo de 37 anos no Zimbábue quando generais do Exército que tomaram o poder lhe disseram que não impediriam que manifestantes atacassem sua casa se ele não cedesse, disseram três pessoas familiarizadas com as negociações.

O perigo dos manifestantes era real. Três dias antes, eles haviam chegado aos portões da mansão conhecida como "o teto azul", em Borrowdale, um subúrbio rico no norte de Harare. Chris Mutsvanga, líder dos veteranos da guerra de liberação contra a Rodésia governada pelos brancos na década de 1970, ameaçou lançar uma nova onda de protestos quando Mugabe, confuso e lagrimejante em seus últimos dias no poder, não renunciou imediatamente depois que milhares de pessoas saíram às ruas em 18 de novembro.

Para Mugabe, um presidente quase vitalício, as cenas foram difíceis de entender. Ele sempre andou acompanhado por uma caravana de tropas fortemente armadas, carros de distração, viaturas, escoltas de moto e uma ambulância militar totalmente equipada. Porém, nos últimos anos, o destino de figuras como Saddam Hussein ou Muammar Qaddafi, mortos ou capturados após fugirem, pesou sobre ele, segundo funcionários que falaram sob a condição de anonimato.

A decisão de Mugabe de renunciar e acabar com uma disputa que já durava uma semana com as forças armadas ocorreu quando a União Nacional Africana do Zimbábue - Frente Patriótica preparava seu impeachment no parlamento. Foi um final angustiado para a carreira do segundo líder mais duradouro da África, que conduziu o Zimbábue à independência em 1980 e dominou o cenário político do país desde então.

'Grace Gucci'

O próprio Mugabe provocou a intervenção, conduzida na madrugada de 15 de novembro pelo comandante das forças armadas, Constantino Chiwenga. Uma semana antes, Mugabe havia demitido Emmerson Mnangagwa, vice-presidente e seu antigo braço direito durante a guerra da liberação e depois da independência. Mnangagwa, o ex-chefe de espionagem, de 75 anos, tinha boas relações com as forças de segurança.

A demissão foi entendida por muitos como um passo prévio à nomeação da esposa de Mugabe, Grace, de 52 anos, para que ela se tornasse sua clara sucessora. Nos últimos meses, Grace, conhecida como "Grace Gucci" por seu estilo de vida esbanjador, tinha irritado os membros das forças de segurança por denunciar veteranos da guerra de liberação e líderes militares.

A resistência de Mugabe a renunciar cedeu quando lhe disseram que as forças especiais do Zimbábue haviam prendido aliados fundamentais e membros da agência de espionagem, a Organização Central de Inteligência. Ele voltou a chorar e perguntou o que poderia fazer para acabar com o impasse, disseram os funcionários. Ligações feitas ao quartel-general do Exército em busca de comentários não foram atendidas.

Sem escapatória

Suas opções eram claras, lhe disseram os generais: renunciar, sofrer um impeachment ou enfrentar a multidão nas ruas. E não havia escapatória, disseram. Forças especiais haviam sido enviadas aos aeroportos do Zimbábue com ordens estritas de não permitir que nem ele nem Grace saíssem do país.

No fim, foi o medo de ter o mesmo destino que Qaddafi ou do vexame de sofrer um impeachment que fez com que Mugabe mudasse de opinião, disseram as pessoas. Ele assinou uma carta de renúncia escrita em seu nome no dia 21 de novembro, depois que os generais acataram algumas de suas exigências de imunidade contra processos, disseram os funcionários. As negociações das condições finais de sua saída estão em andamento.

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