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Realidade do Nafta: cresce diferença salarial entre EUA e México

Eric Martin e Nacha Cattan

(Bloomberg) -- Qual é o oposto de um crescimento milagroso? Qualquer que seja o termo, ele se aplica perfeitamente ao México na era do Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta, na sigla em inglês).

Espera-se que os países pobres cresçam mais rápido do que os ricos, e eles precisam disso. Os acordos comerciais deveriam ajudar. No entanto, em quase todos os indicadores de referência ? e sem dúvida nos que foram anunciados pelos arquitetos do tratado há um quarto de século ?, o desempenho da economia mexicana foi decepcionante.

O crescimento de 2,5 por cento ao ano desde 1994 é inferior à metade da média do mundo em desenvolvimento. É praticamente o mesmo que o dos EUA e do Canadá. Mas até isso é enganador: como a população do México se expande muito mais rapidamente, a torta da economia precisa ser dividida entre cada vez mais pessoas. Portanto, hoje o mexicano médio ganha menos, em comparação com seus pares americanos e canadenses, do que antes do Nafta.

"A principal ideia era promover a convergência salarial e dos padrões de vida", disse Gerardo Esquivel, professor de economia do Colegio de México. "Isso não aconteceu." E o pouco crescimento registrado, diz Esquivel, foi principalmente para "a parte superior da distribuição".

Para um mercado emergente, o México tem uma coleção impressionante de bilionários, que inclui o sexto homem mais rico do mundo. Por outro lado, a taxa de pobreza continua em torno dos níveis do início dos anos 1990: mais de metade da população, com uma classe permanente de subempregados. A criminalidade e a corrupção estão fora de controle.

Tudo isso representa um problema para os EUA, especialmente agora que Donald Trump está no comando. A economia extremamente lenta do México significa que ainda há fortes incentivos para as coisas que Trump detesta: o fluxo de mão de obra mexicana mal paga rumo ao norte e de fábricas americanas na direção contrária. Enquanto sua equipe de comércio atravessa com dificuldade diversas rodadas de negociação, o presidente dos EUA continua ameaçando destruir completamente o pacto.

O assunto é muito mais urgente para os mexicanos. Eles terão a chance de fazer algo a respeito na eleição presidencial do próximo ano. O favorito até agora, o esquerdista Andrés Manuel López Obrador, diz que vai instaurar um novo modelo econômico. Ainda não está claro qual papel o Nafta desempenharia, se é que teria algum.

Nos círculos políticos do México, há pouca inclinação para culpar o Nafta. Alguns salientam que, embora a economia claramente não tenha crescido, pelo menos esquivou as quedas que derrubaram vários vizinhos latinos nas últimas duas décadas. Não se poderia esperar que o pacto comercial resolvesse problemas sociais profundos, mas ele trouxe "vários benefícios em diferentes setores, gerou empregos e riqueza", disse Enrique Ochoa, chefe político do partido governante, o PRI, na semana passada.

Ainda assim, muitos economistas concordam em que as promessas feitas pelos presidentes Carlos Salinas e Bill Clinton no começo do Nafta não foram cumpridas. A rápida expansão do comércio com a maior economia do mundo não foi um remédio milagroso. Não aliviou nem mesmo dores de cabeça, como dizem alguns.

"O erro básico do México foi pressupor que bastaria se integrar à economia mundial e ao mercado dos EUA em particular", disse Dani Rodrik, professor de economia da Universidade de Harvard. "Outros aspectos da estratégia de desenvolvimento foram ignorados."

--Com a colaboração de Andrew Mayeda Andrea Navarro Chloe Whiteaker e Catarina Saraiva

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