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Sucesso de carros elétricos deixa Toyota sozinha com hidrogênio

Kevin Buckland e Nao Sano

(Bloomberg) -- A Toyota Motor, que arriscou alto nos carros movidos a hidrogênio, parece mais isolada depois que as rivais do setor dobraram a aposta nos veículos elétricos plug-in como tecnologia dominante da emergente era pós-combustíveis fósseis.

Três anos atrás, o presidente da Toyota, Akio Toyoda, neto do fundador da empresa, Kiichiro Toyoda, apresentou o Mirai, um sedã familiar quatro portas alimentado por tanques de hidrogênio e tecnologia de células de combustível que não emite nada além de calor e água -- e nenhum dos gases que contribuem para o aquecimento global.

No entanto, as vendas do sedã de US$ 57.500 - disponível no Japão, na Califórnia e em algumas partes da Europa -- ainda não superaram a marca de 5.000 unidades, contra cerca de 300.000 do Nissan Leaf, movido a bateria elétrica.

A Toyota não é a única empresa que trabalha no desenvolvimento de veículos de células de combustível. No entanto, até mesmo apoiadoras dos carros movidos a hidrogênio, como Honda, Hyundai e Audi, esta da Volkswagen, reorientaram as estratégias para carros com emissão zero para os veículos elétricos. O investimento em estações de energia de hidrogênio tem sido glacial e os avanços tecnológicos reduziram o custo das baterias e prolongaram a autonomia de direção.

A China, maior mercado automotivo do mundo, quase dobrou o número de pontos de recarga no ano passado, para 215.000, enquanto o número de estações de hidrogênio soma cinco. O país planeja lançar uma política de limite e comércio de emissões a partir de 2019 e se uniu a um grupo crescente de países que mira prazos finais para a eliminação dos veículos movidos a combustíveis fósseis.

A Tesla apresentou neste mês um novo Roadster com autonomia de 998 quilômetros, o dobro da do Toyota Mirai. O CEO da fabricante de automóveis elétricos, Elon Musk, há tempos menospreza as células de combustível devido ao custo e à dificuldade de gerar, armazenar e transportar hidrogênio.

Em contrapartida, a relativa simplicidade dos conjuntos de motor e transmissão dos veículos elétricos ajudou a abrir as portas para uma série de novos operadores, incluindo o bilionário James Dyson, do ramo de aspiradores de pó. A Bloomberg New Energy Finance prevê que os carros elétricos alcançarão paridade de preços com os modelos movidos a gasolina já em 2025, após queda de 73 por cento nos preços das baterias de íons de lítio entre 2010 e 2016.

"É mais fácil as empresas lucrarem com veículos elétricos e é mais fácil os governos prepararem a infraestrutura", disse Richard Kaye, gerente de portfólio da Nippon Comgest. "Nos últimos anos, são os veículos elétricos que vêm ganhando impulso. Por isso, são os veículos elétricos que estão mais perto de virar realidade."

A Toyota afirma que sua fé na tecnologia, que a empresa começou a desenvolver no início dos anos 1990, continua a mesma. Os veículos movidos a células de combustível e a baterias elétricas devem ser desenvolvidos "à mesma velocidade" porque diferentes partes do mundo darão preferência a diferentes fontes de energia com base em suas necessidades específicas, disse o vice-presidente-executivo da empresa, Didier Leroy, em entrevista no Salão do Automóvel de Tóquio, no mês passado, quando a Toyota foi a única fabricante japonesa a exibir veículos movidos a hidrogênio.

"Sabemos, por exemplo, que na sociedade japonesa as células de combustível irão muito além dos carros", disse Leroy. "O mesmo ocorrerá em muitos outros lugares do mundo."

--Com a colaboração de Dana Hull

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