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Brexit dá nova vida a tratores velhos em leilões no Reino Unido

Isis Almeida

(Bloomberg) -- No coração da Inglaterra rural, a menos de 20 quilômetros ao norte de Cambridge, centenas de tratores usados estão esperando para serem arrematados por algum dos muitos compradores estrangeiros que conseguem um preço melhor por causa do Brexit.

Atraídos pela desvalorização da libra e pela boa qualidade das máquinas, comerciantes da União Europeia e de lugares tão distantes quanto Líbano e Sri Lanka comparecem em massa ao leilão mensal de Cheffins, realizado em uma área do tamanho de 40 campos de futebol. As vendas ? em sua maioria, exportações ? deram um salto desde que o Reino Unido decidiu sair da UE e atingiram o pico de três anos nos primeiros 10 meses de 2017.

"Desde o dia do Brexit e da redução do valor da libra, comprar aqui é uma ótima oportunidade para todos os europeus", disse Bill Pepper, diretor da Cheffins, no leilão de setembro. "Somos o único leilão com uma variedade tão grande de máquinas, então é quase como uma loja que vende de tudo."

A libra é a moeda de importância com o pior desempenho desde o referendo de junho de 2016, por isso o dinheiro dos compradores estrangeiros rende mais. Dos tratores Deere, preferidos pelos espanhóis, aos Massey Ferguson, favoritos na Ásia e na África, as vendas da Cheffins subiram 15 por cento neste ano até outubro, após ganhos ainda maiores nos meses seguintes ao referendo. Parte da demanda vem também dos agricultores do Reino Unido que, por precaução, não querem comprar máquinas novas antes que o país saia do bloco.

Para os estrangeiros, a queda da libra foi uma boa notícia. No leilão, Hassan Alaywi, um comprador de bens de segunda mão, procurava um trator antigo para preencher o último espaço restante em um contêiner para o Líbano. Ele disse que, por causa dos preços mais baixos, ele poderia fazer os reparos necessários e ainda obter um lucro de 20 por cento com a exportação.

A libra caiu 13 por cento em relação ao euro desde que o Reino Unido votou a favor de sair da UE.

Cheffins vendeu cerca de 30 milhões de libras (US$ 40 milhões) de tratores e peças no ano até agora. O leilão pode oferecer boas ofertas: no início de 2017, um veículo John Deere de dois anos foi vendido por 56.000 libras, quase metade do custo de um novo.

Embora a renda agrícola média no Reino Unido tenha aumentado 20 por cento na temporada 2016-17, ela continua 43 por cento abaixo do nível de 2011-12, mostram dados do governo. As enormes colheitas em vários países, como Brasil e Rússia, reduziram os preços. Um índice de grãos da Bloomberg está prestes a registrar seu quinto declínio anual, a sequência mais longa em dados que remontam a 1991.

Cerca de 90 por cento dos tratores vendidos pela Cheffins são comprados por comerciantes que depois exportam a maioria deles, disse Pepper.

"Por causa da desvalorização da libra, essas exportações podem alcançar preços melhores em libras e se tornarem mais competitivas nos mercados de exportação, o que os valoriza e ajuda a sustentar a atividade em todo o mercado", disse Stephen Howarth, economista da Agricultural Engineers Association, que monitora veículos novos.

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