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Cobalto de baterias defeituosas pode ser usado em carro elétrico

Anna Hirtenstein

(Bloomberg) -- A quase 14.400 quilômetros da poeirenta savana do Congo, mineradores acharam uma fonte totalmente nova de cobalto -- o mineral raro que sustenta o boom dos carros elétricos. E eles ainda têm tempo para tomar um café e comer um bolinho da Tim Hortons.

Os cientistas que trabalham na American Manganese, nos subúrbios de Vancouver, desenvolveram uma forma de produzir quantidades suficientes do metal cinza azulado para impulsionar todos os carros elétricos que hoje estão nas ruas sem perfurar o solo: reciclando baterias defeituosas.

Esta é uma das muitas tecnologias que os empreendedores estão patenteando para se prepararem para uma época na qual haverá mais carros elétricos do que motores poluentes a gasolina, o que deixará toda a rede de suprimentos do setor automotivo de ponta-cabeça. Em vez de radiadores, velas e injetores de combustível, a indústria precisará de fontes baratas de cobalto, cobre e lítio.

"Reaproveitar as baterias é muito mais rentável do que escavar o solo", disse Larry Reaugh, presidente da American Manganese, que patenteará um método para extrair todos os metais das baterias recarregáveis. "Em vez de extrair minério com 2 por cento de cobalto, você usa uma bateria que contém 100 por cento de cobalto."

Inovação

Inovadores como eles avançaram tanto que até 2025 empresas como Tesla e Toyota Motor poderiam usar a reciclagem para cobrir 10 por cento de suas necessidades de material para baterias se as empresas lançarem grandes esquemas, segundo a Bloomberg New Energy Finance. Isso diminuirá a pressão sobre o lítio e o cobalto, cujos preços mais do que dobraram nos últimos 12 meses.

Achar novas fontes de cobalto poderia ser particularmente revolucionário porque mais da metade desse metal relativamente raro é obtido na República Democrática do Congo. Esse é não só um dos países mais pobres do mundo, mas fazer negócios lá é difícil após décadas de violência e corrupção. Algumas minas artesanais ainda exploram o trabalho infantil.

A American Manganese quer reciclar a bateria -- uma de cada 10 baterias de íon de lítio que são usadas em tudo, desde produtos eletrônicos domésticos até smartphones -- que não passa nos testes de controle de qualidade e acaba em lixões de resíduos perigosos. Isso pode render até 4.000 toneladas de cobalto, segundo Reaugh. Se for assim, essa quantidade de material equivale à usada em todos os veículos elétricos que estão nas ruas neste ano.

Após disparar de US$ 10 para US$ 30 por libra-peso em menos de dois anos, o preço do cobalto desacelerará e chegará a US$ 32 em 2021 e a US$ 41 em 2022, segundo projeções do Macquarie Group, um dos maiores bancos em commodities. A pressão sobre o lítio, obtido principalmente de lagos de salmoura no Chile, também diminuirá quando começar a produção na Argentina e na Austrália.

"A reciclagem vai ajudar a reduzir as limitações da oferta que prevemos para os próximos anos", disse James Frith, analista de armazenamento de eletricidade da Bloomberg New Energy Finance. "Isso será muito importante, principalmente porque os resíduos perigosos não iriam parar na terra."

--Com a colaboração de Mark Burton

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