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Criador do iPod apoia startup de cibersegurança

Yoolim Lee e Lulu Yilun Chen

(Bloomberg) -- Toda vez que alguém usa um smartphone para comprar um mouse para jogos ou um laptop no website da Razer, um algoritmo de uma startup desconhecida de Cingapura verifica 1.000 pontos de dados para descobrir se a aquisição é uma fraude.

O tipo de dispositivo que acessa o website, o fuso horário e os padrões de compras do usuário são analisados em tempo real pela CashShield e seu banco de dados para determinar se a transação deveria ser interrompida. A abordagem atraiu financiadores destacados, desde uma unidade da firma de investimentos estatal de Cingapura Temasek Holdings até Tony Fadell, que ganhou fama pela participação no desenvolvimento do iPod, da Apple.

"É a única empresa do setor com abordagem de trading de alta frequência, estilo Wall Street, para avaliar o risco de fraude para empresas", disse Fadell. "Está claro que muitos setores vão demandar a tecnologia dela."

O fundador da CashShield, Justin Lie, passou uma década construindo a empresa lentamente, usando tecnologia de aprendizagem de máquina para acelerar o processo de detecção de fraudes a frações de segundo. Após levantar US$ 5,5 milhões em setembro em uma rodada financiada pela GGV Capital e pela Heliconia Capital Management, da Temasek, ele planeja captar mais US$ 50 milhões. O objetivo é aprofundar a presença global formando equipes de vendas em Berlim, Jacarta, Cingapura, Xangai e Menlo Park, na Califórnia.

Além da Razer, a CashShield tem como clientes também Alibaba e Vodafone.

O algoritmo da CashShield foi construído com dados adquiridos de aplicativos de terceiros, informações que as pessoas podem não perceber que estão sendo compartilhadas quando não leem os termos do contrato de serviço. Essa grande quantidade de informações mostra a interação dos usuários com seus dispositivos, como padrões de deslocamento do dedo na tela, pontos de pressão, locais frequentados e velocidade de digitação.

Quando um cliente tenta comprar, milhões de dados são analisados para decidir se aceitar uma compra. Em seguida, a empresa aplica princípios similares aos empregados por algoritmos de trading de alta frequência para decidir se devem levar uma transação adiante.

"O objetivo de rastrear esses dados não é acompanhar o comportamento individual dos usuários", disse Lie. "Nossa intenção é simplesmente identificar o comportamento coordenado."

Lie fundou a empresa mais ou menos na época da crise financeira global e se interessou em estudar mais sobre as ferramentas de trading de Wall Street como estudante de finanças. Com 35 anos, ele é formado pela Santa Monica College e pela Universidade Nacional de Cingapura.

"Percebi que poderia traçar paralelos entre o trading e a aceitação de transações para verificar fraudes como riscos financeiros", disse Lie.

Jenny Lee, sócia-gerente da GGV, estimulou Lie a ser mais ambicioso após anos de crescimento lento, embora constante, vislumbrando um futuro para sua tecnologia fora do comércio eletrônico.

"Definitivamente, outros atores no mercado não fazem isso dessa maneira", disse Lee, da GGV, cuja empresa investiu em várias gigantes da tecnologia, entre elas a Alibaba. "É uma boa abordagem que pode ser usada em outras áreas, como tecnologia financeira."

--Com a colaboração de Stephanie Phang e Sterling Wong

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