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Mulheres criam mais empresas, mas não conseguem financiamento

Laura Colby

(Bloomberg) -- Um número cada vez maior de mulheres está começando suas próprias empresas, o que não deveria surpreender ninguém, considerando as recentes denúncias de condutas sexuais impróprias e de discriminação nas grandes empresas.

No entanto, mesmo quando as mulheres estão no comando, elas enfrentam desvantagens, de acordo com um relatório divulgado na quinta-feira pelo Federal Reserve de Nova York e de Kansas City. Apenas 22 por cento das empresas pertencentes a mulheres têm receita superior a US$ 1 milhão por ano, em comparação com 36 por cento das empresas de propriedade masculina, de acordo com o estudo.

O financiamento também é concedido de forma desigual. As empresas pertencentes a mulheres solicitaram empréstimos corporativos a uma proporção similar às empresas de homens, mas menos da metade foram aprovadas, em comparação com uma taxa de aprovação de 61 por cento para os homens. O estudo analisou empresas com pelo menos um funcionário além do fundador, um universo onde as mulheres representam 20 por cento do total.

Parte dessa desigualdade de gênero pode ser consequência dos setores em que as mulheres se concentram. Quarenta por cento das empresas pertencentes a mulheres estão em áreas como educação, saúde, serviços profissionais e imóveis, em comparação com 31 por cento das empresas de propriedade masculina.

As mulheres também informaram uma nota de crédito mais fraca: 53 por cento disseram que tinham um risco de crédito entre médio e alto, em comparação com apenas 40 por cento dos homens que se definiram desse jeito. As mulheres também tenderam a buscar quantias menores de financiamento, muitas vezes menos de US$ 100.000, segundo o relatório.

'Microcrédito'

"É um mercado de microcrédito", disse Claire Kramer Mills, vice-presidente assistente do Fed de Nova York e coautora do relatório. As mulheres buscaram financiamento de credores on-line na mesma proporção que os homens, mas recorreram ao uso de seus cartões de crédito e outros bens pessoais a uma taxa maior.

O número de empresas pertencentes às mulheres nos EUA aumentou 45 por cento entre 2007 e 2015, de acordo com dados da Administração de Pequenas Empresas. Pequenas empresas que empregam menos de 500 pessoas representam cerca de metade do emprego no setor privado dos EUA e criam quase 60 por cento dos novos empregos, de acordo com a agência federal.

Conceder às mulheres o financiamento de que elas precisam, particularmente para que suas empresas possam sobreviver aos primeiros cinco anos, que são críticos, deveria ser uma prioridade, segundo o relatório do Fed. Entre 2007 e 2015, o emprego gerado por pequenas empresas pertencentes a mulheres aumentou 20 por cento, enquanto o emprego gerado por todas as pequenas empresas diminuiu 4 por cento.

"As empresas pertencentes às mulheres representam uma parcela crescente do emprego, por isso seu sucesso tem grandes implicações para os empregos", disse Kramer Mills.

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