Poucos pontos de carga em estrada, obstáculo para carro elétrico

Elisabeth Behrmann

(Bloomberg) -- Instalar supercarregadores nas estradas da Europa e da América do Norte é fundamental para incentivar a venda de carros elétricos, de acordo com o chefe da maior provedora de rede.

Há muitas estações de recarga de bateria para os consumidores perto dos locais de trabalho, em estacionamentos e centros comerciais, disse o CEO da ChargePoint, Pasquale Romano, em entrevista. Para o chefe de uma empresa que conta com investidores como BMW e Daimler, o maior desafio é instalar mais estações de recarga em rotas de longa distância.

"Ter uma infraestrutura pronta e em funcionamento nas estradas é fundamental", disse ele. "É um engano achar que não existe rede de recarga nas cidades."

As fabricantes de automóveis estão realizando investimentos sem precedentes para desenvolver veículos elétricos para cumprir as regras cada vez mais estritas sobre poluição. Na Europa, limites mais rigorosos ao dióxido de carbono devem entrar em vigor em 2021, o que estimularia as fabricantes a produzirem veículos a bateria. A principal marca de carros da Volkswagen revelou na quinta-feira um plano para desenvolver cinco modelos totalmente elétricos, em uma tentativa de competir com a Tesla.

A ChargePoint, com sede em Campbell, na Califórnia, administra uma rede de cerca de 39.000 estações de recarga de bateria nos EUA, na Europa e na Austrália, incluindo instalações públicas e privadas para empresas e residências. Após levantar US$ 125 milhões em uma rodada de investimento liderada pela Daimler e pela Siemens, a empresa está intensificando esforços para levar suas operações para a Alemanha e o restante da Europa.

A demanda por veículos elétricos tem sido morna até o momento porque os consumidores relutam diante da oferta limitada de veículos e dos preços elevados. A disponibilidade de estações de recarga não é o problema, de acordo com Romano.

"A infraestrutura avança naturalmente, com exceção da recarga nas estradas, que a Tesla já demonstrou que é algo que pode ser feito sem maiores problemas", disse ele. A transição é mais desafiadora por causa da rede de abastecimento profundamente arraigada da indústria automobilística, que produz milhões de veículos a gasolina e a diesel.

"Não há interesse em avançar muito rapidamente com os carros elétricos", disse ele.

O número de pontos públicos de recarga em todo o mundo deu um salto de 61 por cento no ano passado, para 363.000, e a China liderou essa iniciativa, de acordo com um relatório da Bloomberg New Energy Finance. Na Europa, a Alemanha registrou o maior crescimento, de 33 por cento.

A venda de carros elétricos também deverá acelerar. O UBS aumentou sua projeção nesta semana, citando a queda da popularidade do diesel na Europa e a regulamentação na China. Os veículos movidos exclusivamente a bateria poderiam representar 30 por cento das novas vendas na Europa até meados da próxima década, afirmou o banco.

Reagindo a uma aceitação lenta até o momento, Volkswagen, BMW e Daimler, matriz da Mercedes-Benz, uniram forças em um raro investimento em infraestrutura para oferecer uma rede de recarga europeia com cerca de 400 estações até o fim da década. A distribuidora de energia alemã EON e a provedora dinamarquesa de recarga Clever também estão trabalhando em um projeto similar e pretendem abrir suas primeiras estações antes de junho para possibilitar viagens no verão europeu. As iniciativas refletem a decisão tomada pela Tesla em 2012 de construir sua própria rede intermunicipal de supercarregadores para viagens de longa distância.

A existência de mais estações de recarga nas estradas "removerá o que muitos motoristas consideram como um obstáculo de compra", disse Romano.

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