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Parceiro de Daniel Dantas, Ferman ajuda a acalmar investidores

Paula Sambo

(Bloomberg) -- Dório Ferman trabalhou duro por anos à sombra do banqueiro Daniel Dantas.

O bilionário Dantas, parceiro comercial de longa data desse gestor, pode ser o mais conhecido dos dois, mas o discreto Ferman desempenhou um papel fundamental nos bastidores, ajudando a manter o crescimento da firma de investimento Opportunity, pertencente a ambos, em épocas boas e ruins. Como, por exemplo, quando a dupla foi presa. Ou quando Dantas brigou publicamente com o Citigroup. Ou durante a gigantesca recessão que eliminou mais de 7 por cento do produto interno bruto do Brasil desde 2015.

O Opportunity atualmente é o maior gestor de ações brasileiro não detido por um grande banco, com R$ 32,3 bilhões em ativos totais. O fato de a carteira do fundo ter quase triplicado de tamanho desde 2008 -- ano das breves detenções de Dantas sob acusações que incluem crime de espionagem e tentativa de corrupção de um delegado federal, posteriormente retiradas -- sinaliza a habilidade de Ferman em acalmar os investidores diante do caos, dizem os colegas.

"Se não fosse por Ferman, eles não teriam mantido e depois aumentado o dinheiro sob gestão", disse Bernardo Rodarte, que administra R$ 1 bilhão em ativos da Sita Corretora em Belo Horizonte.

O fundo de ações mais antigo do Opportunity, o Logica Master FIA, que possui R$ 1,9 bilhão em ativos, deu retorno médio de 23 por cento ao ano em dólares desde sua criação, em 1986, mas decepcionou nos últimos anos. O ganho de 13 por cento do fundo em reais neste ano é inferior ao rali de 20 por cento registrado pelo Ibovespa. Ferman diz ter subestimado a recessão.

"Para a gente que está aqui no longo prazo, cometer erros calculados faz parte", disse Ferman. "Mas o Brasil está no caminho certo e a gente recupera."

Volatilidade do mercado

Em reunião em seu escritório, no centro do Rio de Janeiro, em outubro, Ferman, de 72 anos, parece confortável com a volatilidade do mercado -- e talvez até prospere com ela. Uma de suas escolhas no momento é a JBS, o frigorífico brasileiro cujos acionistas controladores estão envolvidos em um escândalo de corrupção após confessarem subornos a funcionários do governo para obter os empréstimos que impulsionaram uma série de aquisições de US$ 20 bilhões ao longo de uma década.

"Qualquer boa oportunidade traz riscos", disse Ferman. "Não há ganhos sem riscos, embora eles tenham que ser muito bem calculados."

O Opportunity também está comprando novamente ações no setor de consumo -- inclusive da empresa varejista Cia. Hering e da operadora de shoppings BR Malls Participações -- no momento em que a economia do Brasil emerge de dois anos de recessão. A maior economia da América Latina cresceu 0,3 por cento no segundo trimestre e deverá avançar 2,5 por cento no ano que vem.

"Estou bastante otimista", disse Ferman. "É basicamente questão de escolher os setores. As empresas que sobreviveram já estão em posição forte para aproveitar os bons tempos que esperamos."

--Com a colaboração de Jonathan Mark Majoni e Aline Oyamada

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