Russos ricos temem possíveis sanções dos EUA

Henry Meyer e Irina Reznik

(Bloomberg) -- Quando o escritório de advocacia Debevoise & Plimpton realizou um seminário em Moscou para explicar o impacto da nova legislação dos EUA sobre sanções, foi preciso alugar um salão em um hotel para receber todos os clientes preocupados que se inscreveram.

Um dos principais motivos desse interesse é uma disposição na lei que dá ao Poder Executivo do presidente dos EUA, Donald Trump, o prazo de até fevereiro para identificar "oligarcas" próximos a Vladimir Putin que podem ser alvo de proibição de visto e congelamento de ativos como uma punição a mais pela intromissão do Kremlin na eleição americana.

Como o Departamento do Tesouro, que conduz a iniciativa, não deu muitas pistas sobre como a lista está sendo elaborada, a classe dos bilionários da Rússia está angustiada e impotente. Um dos homens mais ricos do país disse que tentar fazer lobby em Washington para não ser incluído na lista não seria uma boa ideia, porque isso o colocaria ainda mais em evidência.

Ser classificado como oligarca pelos EUA não irá desencadear automaticamente punições como as que já foram impostas a dezenas de infiltrados russos e empresas estatais devido à questão eleitoral e à da Ucrânia. No entanto, essa ameaça é suficiente para prejudicar as perspectivas comerciais de um número quase ilimitado de russos, de acordo com Alan Kartashkin, sócio da Debevoise em Moscou.

"A lista poderia ser interminável", disse Kartashkin. "Os oligarcas russos não querem estar nessa lista", acrescentou.

A lei

A lei dos EUA, que Trump assinou a contragosto em 2 de agosto, após ser aprovada pelo Congresso com uma margem à prova de veto, ordena que o Tesouro, o Departamento de Estado e as agências de inteligência identifiquem funcionários e oligarcas de acordo com "sua proximidade com o regime russo e sua riqueza líquida". O relatório, que deverá estar pronto no prazo de 180 dias após a assinatura da lei, deve incluir "índices de corrupção relativos a esses indivíduos" e quaisquer ativos estrangeiros que possam ter.

A lei também permite que o Congresso impeça Trump de reverter as penalidades impostas à Rússia e aumenta a possibilidade de proibir que investidores dos EUA adquiram dívida soberana russa. Essa proibição poderia abalar fortemente as finanças da Rússia e tornar praticamente impossível que Trump atinja seu objetivo de melhorar as relações entre os EUA e o inimigo da Guerra Fria.

Pressão

Apesar das grandes esperanças do Kremlin de que a vitória inesperada de Trump melhoraria as relações, as tensões só se intensificaram à medida que foram chegando a Washington várias investigações sobre uma possível conivência entre a equipe de campanha do líder dos EUA e a Rússia.

A resolução do Congresso está claramente semeando medo na Rússia, o que demonstra que as sanções podem ser uma ferramenta poderosa, de acordo com Daniel Fried, um dos principais funcionários do Departamento de Estado durante o governo Obama e atualmente membro do Atlantic Council.

O objetivo é "excluí-los do sistema americano, excluí-los do dólar e praticamente torná-los radioativos", disse Fried.

--Com a colaboração de Laura Litvan Alexander Sazonov Jack Farchy Stepan Kravchenko e Yuliya Fedorinova

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