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Argentino fica bilionário e pode ruir com medidas de Macri

Pablo Gonzalez

(Bloomberg) -- Jorge Horacio Brito ficou bilionário graças aos esforços do presidente Mauricio Macri para revitalizar a economia argentina. Agora, esses mesmos esforços colocaram em jogo o futuro de Brito e de seu império empresarial.

O ex-presidente do Banco Macro foi envolvido em um escândalo em que também figura um ex-vice-presidente da Argentina, Amado Boudou, acusado de enriquecimento ilícito por meio do uso de empresas de fachada e intermediários secretos para tomar o controle de uma empresa contratada para imprimir a moeda nacional. Brito foi apontado como um desses intermediários por um empresário que se beneficiou da nova lei de delação premiada do país.

Essa legislação permite a redução - mas não a eliminação ? das penas para quem ajuda solucionar casos de corrupção. A lei foi defendida por Macri para aumentar a transparência das relações entre dinheiro e poder nas classes dominantes do país.

"Todos os parceiros nos crimes cometidos durante a última década serão presos", declarou Macri em agosto.

Brito nega as acusações e não foi indiciado. Em 27 de novembro, ele entregou uma declaração por escrito a um tribunal federal afirmando que está disposto a cooperar e se apresentar à Justiça a qualquer momento. Ele se recusou a fazer comentários para esta reportagem. O juiz federal encarregado, Ariel Lijo, não fez comentários quando Brito passou pelo tribunal e continua colhendo depoimentos.

Ciccone Calcografica

O Banco Macro aceitou o pedido de Brito de tirar licença da presidência em 21 de novembro, mesma data em que ele foi convocado a prestar esclarecimentos à Justiça. As ações do banco desabaram mais de 20 por cento em novembro. A maior operação da carreira de Brito - o acerto da compra do Banco Patagonia, pertencente ao Banco do Brasil, por US$ 1,8 bilhão - já estava cambaleante e agora parece ainda menos provável.

O escândalo, conhecido como Boudougate, envolve a compra, em 2010, da gráfica falida Ciccone Calcografica por um veículo de investimento conhecido como The Old Fund, com sede na Holanda. Boudou, que era ministro da Economia na época da aquisição, foi acusado de ser o dono secreto do The Old Fund e de abuso de poder para obter isenções tributárias na reestruturação da companhia.

Prisão pela televisão

Boudou, vice da presidente Cristina Fernandez de Kirchner entre 2011 e 2015, foi preso em 3 de novembro. A televisão local mostrou imagens dele algemado a caminho da prisão. O juiz Lijo considera Boudou uma ameaça capaz de atrapalhar a investigação, segundo documentos jurídicos.

Boudou nega as acusações e diz que foi detido por motivos políticos.

A companhia que Boudou supostamente usou para comprar a gráfica movimentou dinheiro por meio de contas do Banco Macro, segundo os documentos. Brito não foi declarado suspeito no caso e, em 2013, escreveu ao juiz que estava disposto a cooperar com a investigação.

O Banco Macro afirmou em comunicado que sempre cumpriu suas obrigações de combate à lavagem de dinheiro e que nunca foi alertado pelas autoridades. Um porta-voz do Macro se recusou a discutir mais a fundo com a reportagem.

--Com a colaboração de Charlie Devereux

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