Japão abraça revolução robótica por oferta menor de mão de obra

Pavel Alpeyev e Katsuyo Kuwako

(Bloomberg) -- Muitos temem que os robôs tirem empregos humanos, mas no Japão as máquinas estão chegando para preencher vagas em meio à maior escassez de mão de obra em mais de 40 anos. O fenômeno está criando oportunidades para startups promissoras focadas na automatização de tarefas em depósitos.

Na semana passada, a Nitori Holdings, maior fabricante de móveis do Japão, empregou 79 robôs para circular entre prateleiras repletas de produtos em seu centro de distribuição de Osaka. A empresa, que implementou o primeiro depósito automatizado de móveis do país em 1980, pretende se tornar menos dependente da mão de obra humana.

A mão de obra cada vez menor do Japão ajudou a levar o número de empregos por candidato a uma razão de 1,55 em outubro, a mais elevada desde 1973, segundo o Ministério do Trabalho. Empresas como a Amazon.com investem na automação de depósitos há anos, mas muitas provedoras japonesas de logística lutam agora para recuperar o atraso. Para atender aos pedidos crescentes das empresas de comércio eletrônico e aos clientes que esperam entregas rápidas, as empresas do país estão recorrendo a startups como Ground e Acca International.

"Administrar a logística com um modelo que depende muito de mão de obra está com os dias contados", disse Hiratomo Miyata, fundador da Ground, cujo software opera robôs no centro de distribuição de Nitori. "O que diferencia as empresas é a capacidade de preencher a lacuna deixada pelo trabalho humano com tecnologia."

Miyata trabalhou por sete anos na Rakuten, liderando a iniciativa da gigante japonesa do setor de comércio eletrônico para criar uma empresa de logística capaz de competir com a Amazon. A Rakuten diminuiu suas ambições após uma série de aquisições no exterior e Miyata deixou a empresa há alguns anos. Ele montou uma equipe de membros importantes e fundou a Ground em 2015.

A Ground, que tem sede em Tóquio, desenvolve softwares de logística para depósitos com robôs fabricados pela indiana GreyOrange, uma de suas investidoras. Os robôs são pequenas plataformas motorizadas capazes de deslocar prateleiras inteiras, facilitando a alocação de mais produtos em um armazém e diminuindo o tempo gasto por pessoas para colocar ou tirar um item do estoque. Miyata afirma que o sistema da Ground permitirá que 30 pessoas administrem uma instalação que anteriormente exigia uma equipe 10 vezes maior.

Em junho, a Ground captou 1 bilhão de ienes (US$ 8,9 milhões) da Daiwa House Industry, uma das maiores operadoras de depósitos do Japão. Miyata planeja captar mais recursos no ano que vem em uma rodada de financiamento que incluiria investidores estrangeiros e mira uma oferta pública inicial em Tóquio em torno de 2020.

"Nenhuma empresa pode acompanhar o ritmo da Amazon, por isso é necessário ter uma plataforma que muitas empresas possam usar", disse Miyata, em entrevista. "Se a Amazon é o iOS, da Apple, estamos produzindo o Android."

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