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Montadoras querem alta tecnologia sem guerras de patentes

Susan Decker e Ryan Beene

(Bloomberg) -- As fabricantes de veículos podem estar transformando seus veículos em computadores sobre rodas cheios de aplicativos, mas há um hábito do Vale do Silício que preferem não copiar: as brigas por patentes na Justiça.

Fabricantes como BMW, Hyundai e Ford tentam aprender com as guerras dos smartphones, que custam centenas de milhões de dólares em honorários advocatícios, em meio aos preparativos para revolucionar seus veículos.

"Nenhuma fabricante de veículos em sã consciência quer repetir essas guerras nas quais os advogados foram os únicos vencedores", disse William Coughlin, CEO da Ford Global Technologies, braço de propriedade intelectual da Ford.

As fabricantes de automóveis ampliaram os pedidos de patentes em meio à concorrência para implementar sistemas de prevenção de acidentes, Wi-Fi de bordo e direção autônoma. Para evitar batalhas judiciais sobre quem e quanto deve ser pago, as concorrentes estão se aliando para licenciar tecnologias em conjunto, usar softwares não proprietários e comprar ou contestar patentes que possam ser usadas em ações judiciais contra elas.

Toyota e Ford estiveram entre as 21 empresas que mais receberem patentes nos EUA no ano passado, com 1.540 e 1.530, respectivamente, o que as coloca ao lado de Apple, Qualcomm e Google, da Alphabet, segundo dados compilados pela Associação de Proprietários de Propriedade Intelectual do país.

As patentes recentes da Toyota compreendem formas de manter um veículo na pista certa e de responder corretamente aos semáforos; a Ford ganhou direitos a sensores que coletam dados de outros veículos e a um sistema para medir a satisfação do cliente por meio de expressões ou afirmações feitas enquanto dirige.

As guerras dos smartphones iniciadas em 2010 foram desencadeadas por um choque dos setores de telefones e computadores e colocou a Apple, fabricante do iPhone, frente a frente com fabricantes de telefones que utilizavam Android, o sistema operacional de propriedade do Google. A Microsoft também foi envolvida quando exigiu royalties de telefones que usavam Android.

As empresas de tecnologia muitas vezes resolvem as disputas de patentes -- outras delas foram travadas devido a memórias, redes e placas de vídeo -- na Justiça. Mas as grandes fabricantes de veículos tendem a resolver suas disputas de maneira mais informal ou deixar que os fornecedores briguem entre si.

Uma das formas é unir-se a outras empresas para compartilhar tecnologias. Muitos dos grupos que estão atraindo fabricantes de automóveis como membros foram criados por empresas do Vale do Silício para limitar o número de ações judiciais abertas por empresas de licenciamento conhecidas como entidades de declaração de patentes -- ou pelo termo pejorativo "troll".

Ford, Honda, Hyundai, Tesla e Volkswagen são membros da LOT Network, consórcio sem fins lucrativos no qual as empresas se comprometem a continuar disponibilizando suas patentes a todos os membros, mesmo que as vendam para outra empresa. Daimler, Ford e Toyota estão entre os membros da Unified Patents, que contesta patentes no Escritório de Patentes e Marcas dos EUA. A Ford é membro também do RPX, um serviço de gerenciamento de riscos que adquire patentes e contesta patentes já emitidas.

"As empresas veem litígios todos os dias e não querem isso", disse Kasim Alfalahi, chefe da Avanci, grupo com sede em Dallas que opera o consórcio de patentes. "Elas dizem: 'vimos isso, estudamos isso e gostaríamos de evitá-lo.'"

--Com a colaboração de Keith Naughton

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