Bolsas

Câmbio

Negros atingem marco de emprego nos EUA, mas vitória é tênue

Jeanna Smialek e Jordyn Holman

(Bloomberg) -- Os negros vêm ganhando terreno no mercado de trabalho dos EUA durante este período de expansão, o que reduziu a diferença em relação aos trabalhadores brancos a um piso recorde. No entanto, existem razões para interpretar esse progresso com cautela.

Quase 58 por cento dos adultos negros estão trabalhando, pouco menos de três pontos percentuais que a proporção da população branca. A diferença entre os dois grupos ronda o nível mais estreito em dados que remontam a 1975.

Esses ganhos poderiam não durar. Os negros tendem a ver mais volatilidade no mercado de trabalho porque o emprego aumenta durante as altas do ciclo econômico e cai bruscamente em períodos de recessão. Cada vez mais pesquisas apontam que esse padrão é um dos componentes da persistente diferença racial de renda nos EUA, que contribui para uma diferença de riqueza ao longo do tempo. As famílias brancas são aproximadamente sete vezes mais ricas do que as famílias afro-americanas.

"O fato de que sejam os primeiros a serem demitidos e os últimos a serem contratados é muito importante", disse Mary Daly, diretora de pesquisa do Federal Reserve de São Francisco, em uma entrevista realizada na semana passada, antes que o Fed entrasse no período de reclusão prévio a uma reunião.

Os trabalhadores brancos veem ganhos salariais mais rápidos quando mudam de emprego, mas, quando os homens negros mudam, o crescimento de sua renda desacelera, mostram Daly e seus colegas em uma pesquisa inédita que foi apresentada em uma conferência. Para as mulheres negras, as mudanças de emprego não afetam o bolso.

Os trabalhadores negros também passam do emprego em tempo integral para tempo parcial ou desemprego com mais frequência, interrompendo suas carreiras.

Diferenças salariais

Em parte como resultado disso, os negros ganham menos do que os brancos. O homem negro médio nos EUA ganha o equivalente a 70 por cento por hora do que o homem branco médio ganha, mostraram Daly e seus colegas em outra pesquisa. As diferenças salariais entre as raças se ampliam ao longo da vida de um trabalhador, mais evidências de que as interrupções podem aumentar com o tempo e deter os ganhos salariais.

As rendas comparativamente baixas são um problema em si, mas também restringem a criação de riqueza.

As tendências ilustram que as melhorias no mercado de trabalho são uma ferramenta limitada para solucionar as desigualdades raciais nos EUA, independentemente do que digam os políticos. O presidente Donald Trump é o último de uma longa lista de líderes que prometeu melhorar a sorte das comunidades afro-americanas de baixa renda com foco nos empregos.

Um relatório do Departamento do Trabalho, que será publicado na sexta-feira, deve mostrar que o mercado de trabalho continua avançando. Os dados permaneceram fortes e mais um mês bom será registrando, com cerca de 195.000 ganhos em novembro após distorções relativas ao furacão, de acordo com a mediana das previsões de economistas consultados pela Bloomberg. A taxa de desemprego provavelmente ficou em 4,1 por cento, o menor patamar em mais de 16 anos, projetam analistas.

--Com a colaboração de Shobhana Chandra

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Newsletter UOL

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos