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Problemas com mão de obra são desafio para lojas físicas nos EUA

Lindsey Rupp e Shobhana Chandra

(Bloomberg) -- As lojas físicas dos EUA que pretendem fazer frente à Amazon.com precisam empregar a única arma capaz de diferenciá-las: um serviço ao cliente de alto nível oferecido por humanos.

Mas a concretização desse objetivo depende de algo no qual realmente ainda não investiram -- funcionários bem qualificados com salários e horários regulares que os façam querer ficar.

A situação ilustra o dilema das empresas de varejo tradicionais. Diante de ameaças existenciais como o comércio eletrônico e a queda do movimento nos shoppings, um salário mais generoso poderia melhorar o serviço. Mas traz o risco de assustar investidores céticos, que já monitoram custos e margens atentamente.

"Obviamente essa é uma situação delicada em que as empresas de varejo, já com lucros espremidos, precisam descobrir onde cortar", disse Simeon Siegel, analista da Instinet. "Considerar as pessoas que dirigem o negócio como um ativo e não como um passivo, é difícil."

Contratações de Natal

Ao aumentarem as folhas de pagamento durante a crucial temporada de compras de Natal, a maioria das redes de lojas prefere oferecer vagas de meio período e baixos salários. Com o desemprego no menor patamar em quase 17 anos e a escassez maior de trabalhadores, o momento é difícil para alterar um modelo consolidado há tempos.

Apesar de algumas das maiores empresas, como Wal-Mart e Target, terem anunciado planos de aumentar salários, as remunerações continuam baixas. Os trabalhadores afirmam que não conseguem os horários flexíveis que desejam e a contratação de funcionários para meio período continua sendo uma forma comum de evitar gastos adicionais com benefícios.

"Definitivamente o mercado de trabalho está mais apertado, mas o poder de definir o salário é todo do empregador", disse Scott Brown, economista-chefe da Raymond James Financial em St. Petersburg, Flórida. As redes não veem a necessidade de aumentar a compensação, nem de somar mais funcionários em período integral, disse ele. "O varejo geralmente é visto como algo dos últimos níveis da cadeia alimentar, por isso não veremos muita pressão, nem mesmo no fim do ano."

A Target anunciou que contratará um total recorde de 100.000 trabalhadores temporários nesta temporada de fim de ano e a Macy's somará 87.000. As redes tradicionalmente aumentam suas folhas de pagamento nesta época do ano para lidar com a demanda e com a movimentação maior nas lojas.

Quarenta e sete por cento dos funcionários de linha de frente -- como vendedores e caixas -- trabalham meio período nos EUA, segundo pesquisa da Fair Workweek Initiative. Os trabalhadores de meio período relataram um salário por hora US$ 0,32 menor que o de seus colegas que trabalham em tempo integral e a quantidade de horas semanais varia de 16 a 29. Um em cada três trabalhadores disse que não recebeu aumento nos últimos dois anos.
O setor lida também com uma força de trabalho instável: a taxa de rotatividade de setembro no varejo foi de 4,2 por cento, o que indica que o setor perde cerca de 50 por cento do pessoal de vendas em um ano.

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