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Twitter e Snapchat deveriam fazer acordo anti-Facebook: Gadfly

Shira Ovide

(Bloomberg) -- Um inimigo comum pode ser a base de uma bela amizade. O Snapchat e o Twitter têm um inimigo comum no Facebook e, em menor medida, no Google. E os dois deveriam encontrar maneiras de unir forças para conectar seus produtos e empresas a fim de resolver seus pontos fracos.

Em termos gerais, cada uma das empresas tem os mesmos problemas básicos: o público delas é minúsculo diante do público do Facebook e elas brigam pelos restos de receita publicitária deixada por Google e Facebook.

O Facebook tem 2,1 bilhões de usuários mensais, o que faz com que o público mensal do Twitter, 330 milhões, e a base de fãs do aplicativo Snapchat, quase igual em volume, pareçam escassos em comparação. Cada uma dessas redes sociais tenta atrair para si mais usuários novos e conservá-los por mais tempo.

Financeiramente, o Google e o Facebook arrebatam dois terços dos US$ 83 bilhões vendidos neste ano nos EUA em anúncios para a internet ou dispositivos móveis, de acordo com estimativas da eMarketer. Todos os demais, incluindo Twitter e Snapchat, disputam a fatia restante.

Essa é uma grande dor de cabeça que acomete ambas as empresas. Veja como elas poderiam se unir para tentar buscar uma cura:

1) Compartilhar alguns conteúdos

Os fãs do Snapchat adoram os diários em vídeo criados por eles que desaparecem depois de 24 horas. Há menos pressão para criar momentos perfeitos para a posteridade. No entanto, os vídeos que somem não são ideais para as autoproclamadas estrelas do vídeo digital que tentam conquistar fãs no Snapchat. Isso vale em dobro para as empresas de mídia, como a NBC, que têm criado notícias personalizadas ou programas de entretenimento para o Snapchat.

Imagine se o Snapchat e o Twitter colaborassem com a opção "compartilhar no Twitter" dentro do aplicativo do Snap. Desse modo, organizações de mídia e celebridades do vídeo digital poderiam escolher que algumas de suas obras perdurem no Twitter após um dia de disponibilidade exclusiva no Snapchat. A possibilidade de divulgar o vídeo para um público maior quando quiserem poderia levar mais celebridades de mídia digital ou empresas de entretenimento a se concentrar na criação de programas no Snapchat.

Adicionar mais vídeos também seria bom para o Twitter, que anda fazendo acordos com parceiros para exibir em vídeo programas, shows e eventos esportivos ao vivo. Um desses parceiros é a Bloomberg, matriz da Bloomberg News, que está desenvolvendo uma rede global de notícias de última hora para o serviço no Twitter.

Distribuir parte da programação do Snapchat daria um novo apelo ao Twitter, e boa parte do público não teria visto o vídeo no Snapchat anteriormente. O Pew Research Center descobriu em uma pesquisa que 36 por cento dos participantes que utilizam o Snapchat para ver notícias também recebem notícias pelo Twitter. Mudar o propósito da programação é uma maneira de que Snapchat e Twitter cheguem a um público que, de outra forma, não se interessaria por eles.

2) Vender publicidade em conjunto

O Snapchat e o Twitter poderiam agrupar alguns de seus espaços publicitários e vender pacotes de anúncios que apareçam em ambas as redes sociais. Uma empresa que está tentando chegar a homens de vinte e poucos anos, por exemplo, poderia gostar de comprar tempo comercial no próximo programa de vídeo esportivo do Twitter e adquirir também anúncios que apareceriam para homens que usam o Snapchat.

Reconheço que esse tipo de acordo comercial combinado, particularmente nas vendas de publicidade, é muito complicado. O setor dos jornais está cheio de histórias de terror sobre acordos, antigamente prevalentes, em que jornais de Detroit, Denver e outras cidades combinaram operações comerciais com um rival. Normalmente, o rival mais fraco nesses acordos operacionais conjuntos derruba também o parceiro. Apesar desse histórico ruim, Snapchat e Twitter têm muito a ganhar e valeria a pena encarar as desvantagens.

3) Preencher lacunas geográficas

Investidores e analistas sugeriram que o Snapchat deveria criar um aplicativo simplificado para países como Índia ou Nigéria. O CEO Evan Spiegel resistiu à ideia, porque o aplicativo Snapchat não seria o mesmo sem todos esses recursos que são complicados em países com conexão ruim à internet e porque o gasto total de anúncios nesses países seria muito pequeno para justificar a entrada do Snapchat.

O Twitter, porém, é praticamente um cidadão do mundo. Cerca de 80 por cento dos usuários do Twitter estão fora dos EUA, em comparação com os 43 por cento dos usuários do Snapchat que estão na América do Norte. Se os programas do Snapchat aparecessem no Twitter, os usuários poderiam experimentar um pouco do Snapchat em boa parte do mundo onde esse aplicativo está ausente, sem que o Snapchat precisasse gastar mais para se expandir globalmente por enquanto. O Twitter também sairia ganhando, porque adicionaria algo sedutor para convencer mais pessoas em seu país de origem a dar uma passadinha pela rede social por curiosidade e, com sorte, ficar por lá.

O trabalho em equipe de uma coalizão anti-Facebook não solucionaria todos os males que afligem o Snapchat e o Twitter. Mas os caminhos para ambas as empresas estão começando a se parecer bastante. A trajetória espinhosa do Snapchat em seus primeiros nove meses como uma empresa de capital aberto tem aspectos parecidos com a trajetória espinhosa do Twitter desde sua oferta pública inicial, em 2013. O futuro é assustador para ambas as empresas se cada uma seguir adiante por conta própria. Valeria a pena tentar um sistema de companheirismo.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião da Bloomberg LP e de seus proprietários.

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