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Candidatura do PSDB em 2018 precisa do PMDB, diz Aloysio Nunes

Samy Adghirni

(Bloomberg) -- A provável candidatura do tucano Geraldo Alckmin na eleição presidencial de 2018 precisará do apoio do PMDB para se viabilizar, segundo o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes.

"O PSDB é um partido consolidado, tem tradição de governo, governa grandes estados, tem líderes importantes, mas sozinho não dá. Precisa ter alianças políticas", disse Aloysio ao receber a Bloomberg no Itamaraty. "A candidatura do Alckmin, com o PMDB, tem mais força", disse o ministro, um dos últimos dois remanescentes do PSDB no gabinete de Michel Temer.

Para Aloysio, a ala tucana anti-Temer deveria entender que o destino eleitoral do PSDB e do PMDB está entrelaçado, já que os dois partidos atuaram em conjunto para derrubar o governo da petista Dilma Rousseff no ano passado. A melhora dos indicadores sob a atual presidência é um trunfo para os tucanos, segundo o chanceler. "Nós participamos do governo, e o que o governo está fazendo em matéria de gestão da economia é algo que o PSDB sempre pregou", disse o ministro. Ele cita a queda da inflação, da taxa básica de juros e do desemprego como exemplos mais palpáveis da recuperação econômica. Segundo Aloysio, essa melhora criará uma sensação de bem-estar na sociedade que acabará enfraquecendo as candidaturas dos atuais favoritos para 2018, Luiz Inácio Lula da Silva à esquerda e Jair Bolsonaro à direita. Alckmin aparece na quarta colocação das intenções de voto para 2018, com 6%, segundo recente pesquisa Datafolha.

Aloysio participou da convenção do PSBD, no último sábado em Brasília, que elegeu Alckmin presidente do partido. Alckmin, governador de São Paulo, deverá ser oficializado até março como candidato da sigla na corrida presidencial. O único tucano que ainda disputa oficialmente ser candidato ao Planalto em 2018, o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, tem poucas chances mesmo que o partido escolha fazer prévias.

Alckmin usou seu discurso na convenção do PSDB para elogiar "esforços do atual governo" e acusou Dilma e Lula de terem causado a "maior crise econômica e ética da história do país." Mas, apesar dos acenos, ainda há distanciamento entre o PSDB e o PMDB. O deputado tucano Antonio Imbassahy cedeu a pressões do chamado centrão da Câmara dos Deputados e renunciou na semana passada ao cargo de ministro da Secretaria de governo, responsável pela articulação com o Congresso. Pouco antes, o tucano Bruno Araújo havia deixado o comando do ministério das Cidades. Além de Aloysio, a cota tucana no gabinete ainda inclui a ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Luislinda Valois.

Outro tema de atrito é a reforma da Previdência, que o governo Temer tenta aprovar ao menos na Câmara até o fim deste ano. A proposta de mudança constitucional tem apoio de caciques tucanos como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o senador Aécio Neves. Mas boa parte dos deputados tucanos se recusa a endossar a reforma para não dar respaldo a Temer.

Por fim, setores do PMDB ainda se ressentem pelo fato de a maioria dos deputados do PSDB terem votado em favor da denúncia contra Temer por obstrução da Justiça e organização criminosa. Para Aloysio Nunes, os laços dos tucanos com o Planalto precisam ser restaurados rapidamente. "Não sei se mágoa do PMDB durará para sempre. Espero que possa ser resolvida no tempo que nos separa da eleição".

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