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Análise: Fatores a serem obervados na economia mundial

Mohamed A. El-Erian

(Bloomberg) -- Na semana passada, o mercado financeiro internacional assistia a uma sequência de recordes: Dow Jones e S&P 500 atingiram novas máximas no fechamento de sexta-feira e a bitcoin disparou antes do lançamento formal da negociação de contratos futuros com base na moeda virtual. Outro destaque foi a baixa volatilidade implícita no mercado acionário. O índice VIX caiu para menos de 10 e a curva de juros dos títulos do Tesouro americano se achatou ao passo que o rendimento dos papéis com prazo de dois anos continuou em alta.

Com tanta coisa acontecendo, diversos dados relativos aos fundamentos econômicos e políticos passaram quase despercebidos. No entanto, suas implicações podem ser substanciais em 2018 e além.

Isso se aplica especialmente aos quatro fatores a seguir:

Recuperação sincronizada da economia global: Dados econômicos divulgados na semana passada por China e Japão, indicadores favoráveis da Europa e outro mês de forte geração de empregos nos EUA reforçam o argumento de que a economia global continua ganhando velocidade. Essas quatro grandes regiões econômicas agora contribuem diretamente para a melhora da perspectiva para o crescimento global. Esses desdobramentos também podem reduzir as tensões comerciais e cambiais subjacentes.

Progresso das medidas governamentais: O avanço da nova legislação tributária no Congresso dos EUA contribui para a melhora da perspectiva global. Também na semana passada, o governo dos EUA sinalizou que pretende anunciar no mês que vem um plano para a infraestrutura. Seria o terceiro elemento do programa pró-crescimento do presidente Donald Trump (os outros dois são desregulamentação e reforma tributária).

Diminuição da incerteza econômica estrutural: Na Europa, após negociações demoradas e complexas, o Reino Unido e a União Europeia chegaram ao que muitos consideram uma tentativa de acordo de divórcio. O acerto abre caminho para a segunda etapa da separação, com discussões economicamente mais construtivas sobre o arcabouço institucional na Europa pós-Brexit.

Continuidade da aceitação do aumento das taxas básicas de juros pelo mercado: As cotações dos ativos financeiros já embutem probabilidade bem alta de elevação dos juros pelo banco central dos EUA (Federal Reserve) nesta semana e a chance de novos acréscimos em 2018 está sendo internalizada. Por exemplo, o rendimento dos títulos do Tesouro americano com vencimento em dois anos ? um dos prazos mais sensíveis às medidas do Fed ? subiu aproximadamente meio ponto percentual nos últimos três meses para 1,80 por cento. O movimento ocorreu sem causar distúrbios nos mercados financeiros nem atrapalhar a economia, corroborando sinais de que o Fed está avançando em um processo tranquilo de normalização.

Obviamente nem todos os fundamentos econômicos e políticos são favoráveis. O crescimento dos salários nos EUA (2,5 por cento nos 12 meses até novembro) ainda está relativamente fraco, especialmente considerando que a taxa de desemprego recuou para o menor patamar em 17 anos. Alguns temem que o achatamento da curva de juros indique maior risco de recessão (na minha opinião, o movimento reflete a demanda de títulos dos EUA de prazo mais longo por estrangeiros, puxada por investimentos institucionais motivados por obrigações).

Na Europa, o progresso das medidas regionais segue lento enquanto se aguarda a formação de um novo governo na Alemanha. Ainda não se sabe como a economia global vai absorver a normalização simultânea por diversos bancos centrais com importância sistêmica, nem seu impacto sobre a sustentabilidade de segmentos com alto endividamento e alavancagem.

Apesar dessas questões, os desdobramentos da semana passada reforçam a perspectiva de crescimento melhor no futuro ? e, portanto, aumentam a probabilidade de a melhora dos fundamentos validar os preços notavelmente altos dos ativos financeiros. De fato, ao longo de 2017, o que eu chamei de economia global "sim-porém" foi se encaminhando para uma direção mais positiva, construindo uma base mais sólida para 2018. E para quem, como eu, acredita que a economia global vai se deparar com um ponto de virada no médio prazo - saindo do "novo normal" para um crescimento maior, mais sustentável e inclusivo ou para recessões periódicas e instabilidade financeira alarmante --, a fase atual é importante não só para esta geração, como também para gerações futuras.

Esta coluna não necessariamente reflete a opinião do conselho editorial da Bloomberg LP e seus proprietários.

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