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Negociação de café do Vietnã perde força com aposta em descontos

Isis Almeida

15/12/2017 14h39

(Bloomberg) -- A negociação de café está perdendo força no Vietnã, o principal produtor de robusta, devido às expectativas de que a colheita maior e as mudanças nos contratos de futuros em Londres, no ano que vem, oferecerão descontos maiores para os compradores.

As empresas de torrefação e os traders estão adiando compras apostando que a safra maior, que está na fase de colheita, reduzirá os preços, segundo os traders participantes da Conferência Internacional do Café da Ásia, na cidade de Ho Chi Minh, na semana passada. Ao mesmo tempo, as mudanças no contrato do robusta na ICE Futures Europe, em julho, deverão ampliar o desconto dos grãos vietnamitas em relação aos futuros.

"Faz sentido que adiem as compras e avancem com o mínimo possível, especialmente se há confiança em uma oferta ampla", disse Judy Ganes-Chase, presidente da J. Ganes Consulting, em entrevista, na semana passada.

A safra de robusta do Vietnã provavelmente aumentará 16 por cento, para 28,8 milhões de sacas, na temporada iniciada em outubro devido à recuperação da produção depois que as chuvas afetaram a colheita do ano passado, estima a Export Trading Group. A recuperação coincide com a expectativa de que a produção maior do Brasil no ano que vem ampliará a oferta e ajudará a gerar superávit no mercado global, disse Eric Llull, gerente de pesquisas sobre café da empresa em Genebra, Suíça, na conferência.

O mercado também se prepara para mudanças na bolsa de Londres. Segundo as novas regras, os traders que levarem café dos países produtores para os estoques da ICE terão de pagar a descarga dos grãos nos armazéns, e também o aluguel, até o fim do período de entrega. É provável que os custos mais elevados sejam transferidos para os futuros, com um diferencial maior entre os contratos de julho e os que expiram antes.

Os diferenciais já estão sendo afetados e o desconto no contrato de maio em relação aos futuros de julho aumentou cerca de 43 por cento nas últimas três semanas. As mudanças nas regras também deverão levar a descontos maiores no mercado físico dos grãos vietnamitas em comparação com os preços de bolsa.

"Quem deve pagar esse custo extra? O trader que quer entregar para a bolsa", disse Stephan Loots, gerente do departamento de café e cacau da trader Group Sopex em Antuérpia, Bélgica. "Trata-se de um custo extra, o que significa que os traders terão que comprar mais barato na origem."

Enquanto os traders tentam descobrir os valores justos dos diferenciais e descontos físicos, algumas empresas de torrefação tentam tirar proveito fixando os preços dos futuros e adiando as compras de grãos físicos do Vietnã, já que mais adiante os descontos podem ser mais atraentes.

Com custos maiores, os traders podem não ganhar tanto com uma estratégia na qual os grãos são comprados e armazenados antes de serem vendidos para obtenção de lucro. É possível que isso derrube os estoques que lastreiam os contratos futuros e deixe o mercado sob o risco de "aperto permanente", disse Loots.

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