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Oferta do Facebook pelo críquete indiano fez Disney mirar Fox

Nabila Ahmed

15/12/2017 11h51

(Bloomberg) -- Três meses antes de fechar o acordo com a Walt Disney, Rupert Murdoch recebeu um claro lembrete sobre a velocidade com que o mundo da mídia está mudando.

A 21st Century Fox do bilionário tentava adquirir os direitos internacionais de TV para jogos de críquete na principal liga da Índia, uma das dezenas de processos de ofertas por programação esportiva de que ele participou em décadas de negócio. Mas desta vez ele competia com um novo rival -- o Facebook, que ofereceu US$ 600 milhões para fazer streaming dos jogos.

A Fox terminou fechando acordo, no início de setembro, para pagar US$ 2,55 bilhões pelos direitos de TV e streaming por cinco anos. Mas as ambições do Facebook não passaram despercebidas para Murdoch, 86, que já havia começado a contemplar a ideia de vender grandes fatias do império de mídia da Fox para uma rival maior para criar um competidor mais forte no entretenimento, um setor cada vez mais caro.

A oferta do Facebook pelo críquete foi um "tiro de advertência" de que a gigante digital estava "chegando ao esporte", disse Murdoch em entrevista à Fox Business Network, na quinta-feira. Enquanto isso, Netflix e Amazon.com vêm investindo somas generosas na construção de uma biblioteca de programas populares, criando uma guerra por talentos contra redes como FX, da Fox.

"Estamos chegando a um momento decisivo", disse ele à Sky News.

Murdoch e Robert Iger plantaram as sementes do negócio em uma noite de verão na vinícola Moraga Estate de 1,2 hectare, em Los Angeles, do bilionário nascido na Austrália. A dupla, que vinha mantendo contato em parte devido à propriedade conjunta do serviço de streaming Hulu, discutiu as forças disruptivas que percorrem o setor e conversaram sobre como poderia ser o futuro de seus respectivos negócios.

"Fui embora pensando que poderia haver uma oportunidade de fazermos algo com ele", disse Iger à Bloomberg TV, na quinta-feira.

De volta às raízes

O chefe da Disney deu sequência à discussão com um telefonema semanas depois e no início de outubro as duas empresas trabalhavam com conselheiros em um possível acordo que, segundo Murdoch, leva o negócio "de volta a nossas raízes, notícias e esportes".

Iger admite que não imaginava que uma transação do tipo fosse possível um ano atrás -- ou até mesmo seis meses atrás.

Mas para Murdoch este é "estrategicamente o momento certo e a decisão certa".

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